A presidente da Câmara de Bragança adiantou, hoje, à Lusa, que a estrada com ligação à Puebla de Sanabria, Espanha, não avançará este ano, mas teve garantias de financiamento do Governo.

A autarca Isabel Ferreira esteve reunida com o Governo, no Conselho de Ministros, que aconteceu, hoje, na Universidade Politécnica de Bragança, onde aproveitou para fazer várias reivindicações, entre elas o financiamento para a estrada Bragança-Puebla de Sanabria.

“Tenho, hoje, a garantia, tive do senhor primeiro-ministro e em particular do senhor ministro da Economia e Coesão Territorial de que o financiamento estaria assegurado”, revelou.

A ligação rodoviária perdeu o financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), porque não cumpriu os prazos de execução e o município foi notificado, pela Estrutura de Missão Recuperar Portugal, responsável pelo PRR, para a devolução de 1,9 milhões de euros que já tinham sido adiantados.

Quanto a este valor, Isabel Ferreira assegurou que já não vai ter de ser devolvido, porque foi aceite a contestação feita pelo município, uma vez que a verba foi usada para a criação do projeto e declaração de estudo de impacte ambiental.

“Agora temos a declaração de impacte ambiental aprovada condicionalmente, estamos a reformulá-la de acordo com os condicionantes e, logo que esteja pronta, eu vou dizer: ‘estou em condições de lançar a empreitada, onde é que está a verba?”, afirmou.

No entanto, segundo a autarca, ainda não vai ser este ano que a obra avança. “Só se houver um milagre, mas do que eu conheço do funcionamento do Estado e do Governo, não [avançará], porque não tendo financiamento do PRR, não estando inscrita em Orçamento do Estado [2026], precisamos do próximo”, disse.

Isabel Ferreira reclamou ainda ao Governo verba para a construção da barragem de Parada, projeto que nunca saiu da gaveta por falta de financiamento.

“Já existe um diploma que define a estratégia ‘Água que Une’, onde está expressamente a barragem de Parada. Tem um financiamento global para várias barragens que estão na mesma linha, mas não sabemos calendário e ainda não temos efetivamente esse financiamento, ou seja, precisamos da sua concretização, precisamos de passar do papel para ação”, sublinhou.

Embora esteja incluída no programa "Água que Une", Isabel Ferreira teme que o financiamento não seja garantido, apontando como exemplo a escola Paulo Quintela, de prioridade três (P3) em termos de intervenção, cujo financiamento das obras “era certo”, mas ficou sem apoio.

“Hoje, o senhor primeiro-ministro disse que só haverá 200 escolas [a serem intervencionadas] (…). Significa que as escolas P3 estão todas de fora”, criticou, salientando que a avaliação das infraestruturas já está desatualizada, porque as escolas “que eram P2 há 10 anos, agora são P1, é urgentíssimo” a sua beneficiação.

A autarca também reivindicou financiamento para o alargamento do Brigantia Ecopark, um parque de tecnologia e ciência, que alberga 79 empresas, tendo atingido a lotação máxima.  

Face à procura empresarial, Isabel Ferreira frisou ainda que Bragança está disponível para acolher uma das duas Grandes Áreas Empresariais que vão ser construídas no Norte do país, mas disse não ter tido qualquer resposta do Governo.





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