Bragança celebra em 30 de junho a idade maior do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (CAC), com a inauguração da exposição “A Magia da Criação”, do escultor francês Michel Bassompierre, acompanhada de sete "monumentais esculturas" do artista, em espaço público.

O diretor do CAC, António Meireles, disse à agência Lusa que a exposição é uma homenagem ao escultor Michel Bassompierre, que morreu no passado mês de abril, um dos artistas mais importantes no campo da escultura contemporânea de animais, que soube articular arte e meio ambiente.

“No CAC Graça Morais, serão expostas obras inéditas, uma produção espantosa que alia a obra final ao desenrolar do processo de [criação de] uma escultura, do desenho até à matéria final, sejam os bronzes, como as peças em ouro e prata. Paralelamente, em locais públicos da cidade de Bragança, serão expostas sete obras monumentais de animais selvagens, suscitando admiração e curiosidade”, explicou o responsável.

António Meireles acrescentou que as obras de Michel Bassompierre representam, igualmente, "os valores ambientais, num tempo em que os habitats naturais se vão alterando, em que animais como o urso polar se vêm obrigados a encontrar novos territórios”.

A exposição reúne um conjunto de esculturas em bronze, mármore e alabastro, representativo da diversidade da “Arca”, de Michel Bassompierre, onde coabitam ursos e gorilas, elefantes, cavalos e muitas outras espécies.

Entre as obras apresentadas encontra-se “L’Empereur”, uma escultura de um pinguim imperador, originalmente concebida para uma exposição no Museu Oceanográfico do Mónaco, agora exibida em bronze polido, com acabamento espelhado.

O percurso integra igualmente uma obra particularmente rara na produção do artista, que conta com a representação humana: “Amazone n.º 2”, onde o corpo de uma mulher nua repousa no dorso de um cavalo selvagem, numa relação de absoluta confiança. A suavidade das linhas e a imponência do conjunto impõem um diálogo em que ser humano e animal parecem formar uma única entidade.

“Nesta obra, a força não representa domínio, mas proteção. A escultura convida a contemplar a profunda proximidade que pode existir entre o ser humano e o animal, um tema central no trabalho de Michel Bassompierre, numa composição marcada pela serenidade e pela poesia”, lê-se na descrição da peça.

Isabel Ferreira, presidente da Câmara de Bragança, que gere o CAC, disse à Lusa que esta exposição, de um dos principais escultores contemporâneos, com uma expressão muito própria, reforça a presença da cidade na rota internacional da arte contemporânea.

“Esta exposição tem dois núcleos: um no espaço exterior com sete obras em diferentes locais da cidade e um núcleo expositivo no interior do CAC Graça Morais. Esta exposição coloca Bragança no centro da rota da arte contemporânea internacional, tendo estado em cidades como Paris, Nova Iorque, Bruxelas, e no Mónaco”.

Para Isabel Ferreira, esta exposição demonstra “a estratégia de devolver a Bragança a centralidade, também na área da cultura, e de pensar a cultura, não apenas do ponto de vista etnográfico, mas igualmente [na expressão] criativa contemporânea”.

 As sete esculturas, algumas com três metros de altura, estão instaladas em diferentes locais de Bragança: junto às muralhas e no interior do Castelo, na Praça do Município, na Praça da Sé, na Praça Professor Cavaleiro de Ferreira, nas margens do Rio Fervença e no jardim do Museu do Abade de Baçal.

Este último abriga uma das principais obras de Bassompierre: “Le Miel N.º 5”, uma imponente escultura em bronze de urso pardo, a lamber uma das patas.

Nascido em Paris, em 1948, Michel Bassompierre foi distinguido como Cavaleiro da Legião de Honra de França e como Oficial da Ordem das Artes e das Letras, duas das mais importantes distinções atribuídas pelo Estado francês.

A crítica de arte considerou-o “uma das principais figuras da escultura animalista contemporânea", ao conferir "a esta disciplina uma linguagem singular e inovadora, imediatamente reconhecível”.

Formado na Escola de Belas-Artes de Rouen, Michel Bassompierre desenvolveu uma profunda capacidade de observação através dos milhares de esboços que realizou, construindo uma compreensão rigorosa do corpo animal, da sua estrutura, das suas linhas e dos seus movimentos, eliminando o acessório para se concentrar no essencial, como se destaca em declarações sobre o artista de historiadores e conservadores de arte como Edward Vignot, Catherine Gras e o professor Bruno Lavillate, especialista do Renascimento.

Michel Bassompierre morreu no passado dia 21 de abril, aos 78 anos.

“A Magia da Criação”, de Michel Bassompierre, sucede à exposição temporária "Os dedos, rebentos de soja", de José Loureiro. O CAC, que completa 18 anos, mantém patente "Anjos do Apocalipse", de Graça Morais.



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