Luis Ferreira

Luis Ferreira

E agora quem se segue

A falta de respostas adequadas ou certas, a perguntas que todos fazemos em situações complicadas, só são possíveis quando não temos a certeza das soluções que são necessárias para ultrapassar as complicações que aparecem. Aqui, o problema está no quem, pois exige saber a pessoa que, aparentemente, pode resolver as complicações expostas.

O atual governo tem sido exposto a situações tremendamente caricatas, por sua própria culpa, como todos sabemos. Não sei se é uma falta de tacto político ou se é mesmo falta de pessoas capazes de ocupar os lugares para que são indicadas. Seja como for, o certo é que entram e saem do governo como se fossem empurrados por um vendaval. Alguns nem sequer chegam a aquecer o lugar.

As razões que conhecemos para que tal aconteça não são as melhores. E o mais caricato é que nem se apontam falta de conhecimento ou de perfil ou outra qualquer razão para a saída dos cargos políticos, como falta de habilitações. É falta de honestidade, falta de sabedoria, falta de ginástica política. É, em alguns casos, um assomo de prepotência indevida. É um querer mais do que se deve.

Perante tudo o que tem acontecido a este governo completamente desatinado e sem rumo, chego a ter pena de Costa, pois possivelmente nem merecia ter gente desta no seu partido e que o tem levado a enfrentar situações deveras assustadoras. Não, não merecia ou se calhar até merecia, pois tinha o dever de conhecer os seus pares e de os saber escolher. Escolheu mal, tem escolhido mal e continua a não ser servido devidamente. Cada um é pior que o outro.

Depois de tanta remodelação já feita e desfeita, Costa continua encostado à parede e sem saber o que fazer. Ele bem esbraceja, bem barafusta, fala alto, grita no aniversário do Partido, mas não vai além disso. São palavras para o interior de que a comunicação social faz eco. Resultados positivos, nenhuns.

Os vários Partidos da oposição, criticam o governo, apontam os erros e as indecisões, mas também pouco adiantam. Não podem. Quem tem maioria é que deve governar! Será?

A verdade é que não se tem visto essa governação de quem sabe, de quem ouve as criticas, de quem quer resolver os problemas do país. Os vários setores estão em greve constantemente. São os professores que ameaçam continuar as greves e fazer greve às avaliações no final do ano, são os enfermeiros que não vêm resolvidas as suas exigências, são os trabalhadores da CP e, enfim, é a questão da TAP que se transformou num sorvedouro de milhões que nós teremos de pagar. Para agravar tudo isto, continuamos a não saber onde vai ser construído o próximo aeroporto. Mas a polémica está no ar e todos apontam soluções. Contudo, há sete ou oito ou nove locais possíveis e em estudo e tudo isso nos leva milhões em estudos e mais estudos.

À conta de todos estes imbróglios, alguns ministros e secretários já rolaram e outros estão em vias de rolar. E Costa tenta segurar-se aos ramos que estão na margem, antes de se afundar. Não tem solução fácil. Todos estão a empurra-lo para o fundo. Não tem ajudas. A única com que ainda conta é, curiosamente, do Presidente Marcelo que não está interessado em derrubar o governo e partir para novas eleições. É uma ajuda de peso!

Na verdade, o problema da TAP e da CEO demitida e dos milhões que giram à sua volta, tem feito perigar a continuidade do Ministro das Finanças e, mais recentemente, o Ministro das Infraestruturas, Galamba. Embora ele diga que não sai pelo seu pé, o mais certo é sair pela porta das traseiras. A demissão do seu adjunto, veio complicar o que, para ele, seria fácil, mas não foi. Sucedem-se então uma série de ilegalidades, quer da parte do Ministro, quer dos que ele envolveu, desde o SIS à PJ passando pela Ministra da Justiça. Como é possível? É o descalabro total.

Perante estas situações, a oposição pede o derrube do governo. O PSD e o seu secretário-geral exigem que o governo caia e que se passe à fase seguinte. Montenegro diz que está pronto para substituir Costa. Estará? É verdade que tomou algum alento ao saber que as sondagens lhe dão uma pequena margem acima do PS, mas não chega. Tomar conta de um barco desgovernado e em plena tempestade e levá-lo a bom porto, não é fácil. É preciso ter muita experiência.

O Chega também está à espreita e diz que sem ele não haverá governo. Pois pode estar enganado. Curioso é que mais ninguém parece estar disponível para tomar conta do barco. Resta saber se perante tudo isto, Marcelo vai continuar em manter o governo e o seu amigo Costa até ao fim da legislatura, ou se, como pede a oposição, dissolve a Assembleia e vamos para eleições. A altura é péssima para isso, mas alguma coisa terá de ser feita. O país está no caos. Se formos para eleições, quem se seguirá? Apesar de tudo, Costa ainda não está derrotado e não admite perder. Montenegro ainda pretende ganhar. Ventura só espreita, por enquanto. Adivinham-se tempos difíceis. Nós ficamos à espera do senhor que se segue. Quem será?



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