O primeiro nevão do ano deixou a Zona Norte do país envolta num manto brando, mas o concelho de Bragança ficou isolado durante as primeiras horas da manhã de ontem e obrigou à mobilização de todos os meios de socorro disponíveis no distrito.

O governador civil, Jorge Gomes, admitiu a falta de meios para enfrentar nevões da dimensão do que caiu durante a madrugada e que provocou o corte de várias estradas de acesso ao concelho, designadamente o IP4, a principal via da região que faz a ligação ao Porto e a Espanha.

A situação foi mais complicada durante a madrugada e manhã - com mais de 20 autocarros e camiões que se dirigiam para Espanha a ficarem imobilizados durante quase toda a manhã -, um problema que se agravou porque o limpa-neve, propriedade da Estradas de Portugal (EP), estava avariado. Jorge Gomes admitiu que não é a primeira vez que há avarias do equipamento em tempo de neve, mas frisou que a máquina tem estado operacional e que tem sido usada para espalhar sal nos dias de grandes geadas.

O governador reconheceu que os meios são poucos, mas que se irá empenhar para obter mais uma máquina do género para o distrito. A remoção da neve acabou por ser feita pelas corporações de bombeiros.

O responsável pela coordenação de Operações de Socorros, Sá Lopes, explicou que quando os operadores foram buscar o limpa-neves, depararam com uma avaria eléctrica. O problema acabou por ser resolvido e, por volta da hora do almoço, a máquina já trabalhava no IP4.

Antes disso, as autoridades tentaram remediar a situação usando um limpa-neves dos Bombeiros de Bragança, uma viatura de combate a incêndios adaptada com uma pá frontal, e que trabalhou ao longo de todo o dia em Bragança e nas estradas de acesso várias aldeias e a Vinhais. Foi ainda usado o limpa-neves dos Bombeiros de Macedo de Cavaleiros no IP4.

Para Sá Lopes, seriam necessário mais dois limpa-neves, de modo a poderem ser usados em todo o distrito, principalmente nos concelhos da Terra Fria, onde a neve cai com mais frequência e intensidade.

Temendo um agravamento do tempo, a Protecção Civil pediu emprestado um limpa-neves à delegação da Régua da EP.

Apesar de admitir a falta de meios, Jorge Gomes fez questão de salientar que \"não é viável ter meios imobilizados\", acrescentando que um nevão desta dimensão \"vem de 10 em 10 anos\".

O aumento do tráfego - motivado pelos que tinham de sair da região e pelos que queriam ver a neve de mais perto - provocou também alguns problemas. \"O trabalho das brigadas foi afectado porque tiveram de andar a acorrer às viaturas que ficaram presas\", referiu Sá Lopes.

Os pontos mais críticos foram o IP4, logo a partir do alto de Quintela (Macedo de Cavaleiros), no Alto de Rossas, e ainda junto ao nó de Rio Frio.

Ao fim da tarde, a neve continuava a cair com intensidade e o comandante da Brigada de Trânsito de Bragança, Jerónimo Pereira, temia um agravamento dos problemas.



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