O presidente da Concelhia do PS de Bragança, Rodolfo Cidré, demitiu-se e explicou, hoje, à Lusa, que em causa está “uma desarticulação constante e permanente com o executivo municipal” e um “ambiente hostil”, podendo a comissão política cair.
Em declarações à Lusa, o presidente demissionário disse que a sua decisão, anunciada domingo à noite, “deve-se a um ambiente hostil para com o partido por elementos externos ao partido, por um criar de obstáculos ao trabalho da própria comissão política concelhia e a uma desarticulação constante e permanente com o executivo municipal”.
“Pessoas que, não sendo militantes, pretendem criar uma situação de controlo e monopólio da ação política do Partido Socialista e eu não poderei, de forma alguma, aceitar isso”, afirmou Rodolfo Cidré.
O executivo da Câmara Municipal de Bragança é liderado pelo PS desde as eleições de outubro do ano passado. Isabel Ferreira foi eleita presidente da câmara, com o apoio do PS.
No entanto, segundo o comunicado de Rodolfo Cidré, “a gestão da Câmara Municipal de Bragança tem revelado um distanciamento com as estruturas políticas do PS, disponibilizando, sem diálogo, pouca ou nenhuma informação, o que inviabiliza qualquer acompanhamento e apoio político”.
Uma das razões estará relacionada com a nomeação do chefe de gabinete. Isabel Ferreira escolheu José Pires, ex-militante do Chega, para o cargo. “É impossível ignorar o desvio ideológico que estas escolhas representam, atingindo o seu expoente máximo na nomeação para a Chefia de Gabinete de um elemento com ligações conhecidas à Extrema Direita 'Chega', algo que colide frontalmente com a matriz do Partido Socialista”, lê-se no comunicado.
Outra das razões está relacionada com a “continuidade acrítica das políticas dos executivos anteriores, personificada na insistência em obras como o Museu da Língua Portuguesa e a recente aquisição de livros de um ex-presidente de câmara PSD, desalinhada com a prática de aquisições do município”.
Rodolfo Cidré é militante do Partido Socialista há 26 anos. Atualmente, era presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Bragança desde novembro de 2025, em substituição de Artur Pires, que também se demitiu.
Quando o presidente da concelhia se demite, o presidente da mesa da comissão política pode convidar outro membro da lista para assumir o cargo. Porém, uma vez que esta é a segunda demissão, a lista pode não constituir elementos suficientes e a concelhia pode cair.
“Existem outros fatores, nomeadamente o número de elementos supelentes que podem não assegurar o número de efetivos necessários para que a concelhia se mantenha em exercício”, esclareceu Rodolfo Cidré.
Apesar de todo o cenário, este ano já está previsto que as concelhias do PS vão a sufrágio.
Embora ainda não haja uma data marcada para as eleições, Rodolfo Cidré já tinha anunciado a sua candidatura à concelhia de Bragança, bem como outro elemento que fazia parte da sua lista e que agora é seu adversário, Ricardo Calhelha.
“A antecipação de contactos, feita com muitos meses de antecedência, não é apenas sinal de inquietação e ansiedade, é ambição cega sem norte, busca desenfreada de poder que atropela princípios e pessoas, procurando o poder com único propósito, alimentar egos e manter um controle absoluto no abismo das intenções obscuras”, disse Rodolfo Cidré no comunicado.
À Lusa, Rodolfo Cidré disse que é “extremamente extemporâneo e fora de tempo esta corrida desenfreada, quer à federação distrital, quer às concelhias”, mas garantiu que irá “trabalhar no sentido de a candidatura ir para diante”.
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Lusa