O Instituto Politécnico de Bragança revelou hoje que vai estudar o comportamento dos animais no momento do eclipse solar, que acontece a 12 de agosto mas a sua totalidade é apenas visível numa parte do Parque Natural de Montesinho.

Em declarações à Lusa, o investigador Paulo Cortez explicou que o objetivo é recolher registos de animais “que são passíveis de se manifestar” durante este fenómeno raro que acontece quando a Terra, a Lua e o Sol estão alinhados, e a Lua oculta totalmente ou parcialmente o disco solar por alguns momentos.

“Vamos ter alguma possibilidade de entender sobretudo as aves, que através dos cânticos, de alguma emissão de sons ou de vocalizações poderão eventualmente ter uma maior alteração, ou ser mais sensível de detetar alterações de comportamento, eventualmente mamíferos, se conseguirmos, portanto tentaríamos registar o máximo de informação possível”, disse.

Estes registos vão ser feitos através de aparelhos que captam frequências de som, audíveis e não audíveis, esperando-se, por exemplo, alguma alteração nos morcegos, animais noturnos, mas também através de câmaras que captarão imagens, embora Paulo Cortez reconheça que possa ser mais difícil.

“O receio é que a esse nível não seja tão fácil distinguir alterações de comportamento, porque os mamíferos, a menos que haja vocalizações, o caso do lobo, por exemplo, que emite algum som, será registado pelos instrumentos de som. Em termos de imagem não será tão fácil relacionar os movimentos dos animais que possam ser detetados por passarem junto das câmaras”, referiu.

Os trabalhos de captação de som e imagens vão ser feitos ao longo da semana, dois dias antes do eclipse solar e dois dias depois, de modo a conseguir perceber e relacional essas alterações de comportamento da fauna.

O Centro de Investigação de Montanha (CIMO), do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), desafiou outras instituições do país, como a Universidade do Porto e a Palombar, mas também de Espanha, como a Universidade de Salamanca e o Instituto Pirenaico de Ecologia, a participarem nesta documentação, que será totalmente voluntária e sem qualquer financiamento científico.

“A ideia surge na sequência da escassez de informação sobre o que acontece, documentos, registo científicos, sobretudo em Portugal não há documentos suficientes e no mundo inteiro também há poucos sobre aquilo que acontece aos animais. Há o senso comum, aquilo que as pessoas vão comentando (...) desta forma pretendíamos fazer um registo atualizado”, sublinhou o investigador do IPB.

Os registos serão feitos na faixa da fronteira, do eixo de Rio de Onor-Guadramil, onde será visto o eclipse total do Sol, para Nordeste, mas também noutros pontos de Portugal, como no Gerês, onde terá uma visibilidade de 95%.



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