O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) vai estudar a emissão de dióxido de carbono e as possíveis alterações climáticas no Parque Natural de Montesinho, através de vários equipamentos que vai adquirir, adiantou, hoje, o presidente da instituição.
Esta quinta-feira, o IPB abriu concurso público, no valor de mais de 122 mil euros, para a compra de material que vai ser instalado no alto da Serra de Montesinho, em pleno Parque Natural de Montesinho, com o intuito de “observar aspetos ambientais relacionados com as alterações climáticas”.
“Estes equipamentos permitirão observar com grande precisão e rigor, parâmetros que têm a ver com os fluxos de dióxido de carbono (CO2), que é o fator mais diretamente relacionado com as alterações climáticas, e perceber se o Parque Natural de Montesinho está a contribuir, positivamente ou negativamente, para as alterações climáticas. Permitirá também avaliar com rigor parâmetros que têm a ver com a radiação solar”, explicou, à Lusa, o presidente do IPB, Orlando Rodrigues.
Todo o trabalho de recolha e análise de dados, com fins científicos, será desenvolvido por investigadores do politécnico de Bragança, e começará já no próximo ano, de forma “permanente”.
“Desta forma, o Parque Natural de Montesinho pretende afirmar-se como um ponto importante de recolha de informação científica, nesta área da observação das alterações climáticas, que seja também uma referência mundial nesse nível, e que isso possa permitir atrair investigadores e conhecimento à área do parque”, frisou Orlando Rodrigues.
Este projeto, com financiamento do Programa Operacional Norte 2030, vai ao encontro de um dos mais reclamados projetos para a Serra de Montesinho, a transformação do antigo abrigo da Lama Grande no Observatório de Montesinho-Dionísio Gonçalves.
Em junho de 2020, foi assinado um protocolo, para a criação deste observatório, entre o Instituto de Conservação da Natureza e Floresta, o Centro de Investigação de Montanha do IPB, o Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação e o Turismo de Portugal.
O objetivo seria requalificar o antigo abrigo da Lama Grande, que está ao abandono, para estudar as alterações climáticas em zonas de montanha e também serviria para albergue a investigadores.
O projeto continua por concretizar. “Não há nenhuma novidade. Esperemos que se possa avançar no futuro”, disse Orlando Rodrigues, explicando que, para já, não há financiamento para o efeito.
O presidente do IPB realçou ainda que enquanto não é feita a requalificação do espaço, pretendem avançar com o estudo científico, através da compra do equipamento.
Fotografias: António Pereira
Lusa