Os funcionários da LP Tugas, Lda, proprietária da Tasca Tuga e do restaurante Lazaru's, queixaram-se, hoje, de que estão com o salário em atraso, porque a empresa lhe transmitiu ter aberto insolvência.
No início desta semana, os 12 trabalhadores em questão receberam um email, ao qual a Lusa teve acesso, onde eram informados de que "a LP Tugas, Lda apresentou em 19 de setembro de 2025 um pedido de insolvência junto do Tribunal Judicial da Comarca de Bragança", adiantando ainda que "o processo encontra-se a aguardar decisão".
No email refere-se ainda que "não existem verbas disponíveis neste momento para pagamento imediato, sendo os valores devidos objeto de apuramento no processo de insolvência".
Segundo Luís Quissak, que trabalha há um ano e sete meses na empresa, os funcionários foram avisados a 15 de setembro de que os estabelecimentos iam encerrar e que iriam ser atribuídas férias, mas sem imaginarem o que os esperava quando regressassem ao trabalho.
"Quando regressámos recebemos um email de que a empresa tinha aberto insolvência, que não tinha condições de nos pagar. Fomos ao tribunal e descobrimos que esta insolvência não existe", contou à Lusa o colaborador.
Os funcionários têm estado no hotel São Lázaro, onde se encontra o restaurante Lazaru's e onde está a sede da empresa MR Silveira, que detém a LP Tugas, Lda. Dizem ser obrigados a permanecerem ali e a assinarem uma folha de presenças, mas sem trabalho.
Já tentaram chegar à fala com os responsáveis, mas sem sucesso: "Os responsáveis do hotel não nos respondem, entram e saem pelos fundos, tratam-nos de maneira hostil, ontem a polícia foi chamada a intervir contra nós", adiantou.
Luís Quissak salientou que os funcionários se mantêm ali para reclamar os seus direitos, os salários, dos quais dependem para viver. "Trabalhámos durante o verão, com poucas folgas, quatro folgas num mês, horas extra, tudo para receber e somos tratados como bicho e chutados para fora", criticou.
Quando questionado se a empresa já tinha dado sinais de que não estava bem financeiramente, o funcionário referiu que "os estabelecimentos sempre tiveram muito movimento, sempre tiveram rendimento para suportar todos os funcionários e até mais".
Antonica Manuel faz parte do grupo de lesados. Com quatro filhos para sustentar sozinha, admitiu à Lusa estar a viver uma situação "difícil".
"Tenho cá um filho comigo e tenho três filhos fora, para quem tenho de mandar dinheiro, todos os meses, e até agora não consegui mandar. Eles estudam, comem, dependendo daquilo que eu mando. A pessoa que toma conta deles também depende de mim, não sei como vai ser", contou.
Trabalha há um ano e quatro meses na empresa LP Tugas, Lda. Com o salário em atraso, mas ainda vinculada à empresa, vê-se de "pés e mãos atadas", porque não pode procurar emprego noutro local."Hoje almocei graças a um colega, vou para casa e não sei se janto", confessou.
Esta terça-feira alguns funcionários receberam no seu email o recibo de vencimento face ao mês passado. Antonica Manuel foi uma delas, assim como Jeceline Teixeira. Quanto ao dinheiro, ainda não o viram. "Ontem mandaram o recibo, mas dinheiro não, não recebi nada", contou a jovem Jeceline, que trabalhou nos restaurantes durante os últimos cinco meses, para conseguir suportar as despesas da casa, mas também da universidade.
À Lusa disse estar a ser "muito complicado". "Vivo cá sozinha, não tenho familiares cá, tenho contas para pagar, escola, casa, água, luz", disse.
De entre os 12 lesados, um deles é o chef Luís Portugal, ex-proprietário da Tasca Tuga, no castelo de Bragança, que foi vendida, no ano passado, à LP Tugas, Lda. Atualmente, mantinha-se como chefe no Lázaru’s.
A empresa LP Tugas, Lda pertence à empresa MR Silveira, detentora do hotel São Lázaro, em Bragança, a maior unidade hoteleira do distrito, com mais de 200 quartos.
A Lusa contactou várias vezes, por telemóvel, o sócio-gerente Marcel Silveira, que nunca atendeu às chamadas. Segundo informação recolhida no hotel, não se encontra em Bragança. Foram também enviadas várias questões por email.
Lusa