As grávidas vão ser sujeitas a um rastreio nacional com o objectivo de identificar sinais de violência doméstica não declarada. Os únicos dados disponíveis em Portugal indicam que 9% das grávidas são vítimas destas agressões. O anúncio foi feito ontem, no Porto, pela secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais.

A iniciativa surge na sequência de uma experiência realizada em Bragança pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e que será agora alargada a todo o País. Nesse distrito, os médicos têm feito um inquérito às grávidas para detectar indícios de violência doméstica, sem que estas exponham declaradamente o problema. O caso que despertou uma das médicas de Bragança para a problemática foi o de um bebé que nasceu com malformação porque a sua mãe foi exposta a actos violentos durante a gravidez.

\"Este projecto permitiu identificar um problema gravíssimo que deu origem à decisão de se avançar com um rastreio nacional às grávidas\", afirmou Elza Pais, salientando a necessidade de alargar esta experiência a todas as regiões do País.

Outra novidade no combate à violência doméstica é a aposta na formação de técnicos na área da saúde mental para prevenir e acompanhar casos de vítimas e agressores. \"Se tiverem os conhecimentos específicos e adequados, os técnicos de saúde mental que trabalham nas consultas e urgências podem reconhecer e triar estes casos. Podem perceber que, por detrás de uma depressão, há um problema de violência\", explicou ao DN Caldas de Almeida, presidente da Comissão Nacional para a Saúde Mental.

Para que esta formação se concretize na região norte, foi ontem assinado um protocolo entre a Comissão Nacional para a Igualdade de Género, a ARS do Norte e a Comissão para a Saúde Mental. Este trabalho já começou na zona centro e em Lisboa e Vale do Tejo e tem permitido que os serviços dessa zona já tenham melhores condições para sinalizar e acompanhar vítimas e agressores.

Contudo, sublinhou Caldas de Almeida, \"é bom não esquecer que nem todas as pessoas que são agressoras, seja deste ou de outro tipo, têm um problema ou uma doença psiquiátrica. Há pessoas que pura e simplesmente têm problemas de personalidade e a psiquiatria não tem a solução para as tratar\".



PARTILHAR:

Presidente da Câmara reclama

De 11 a 13 Novembro