A Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP) criticou hoje que a criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior tenha ocorrido “sem qualquer auscultação do setor do ensino superior”.
“Até ao momento, não é conhecido qualquer parecer do Conselho Coordenador do Ensino Superior, do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e das estruturas representativas dos estudantes sobre esta transformação, o que constitui uma grave omissão num processo que deveria ser participado e tecnicamente fundamentado”, apontou a federação em comunicado.
A FNAEESP considerou que o anúncio da criação desta universidade – “sem que o setor do ensino superior tivesse sido ouvido, consultado ou sequer informado com antecedência sobre uma decisão desta natureza” – é uma forma de decidir sobre o futuro “profundamente lesiva do princípio da participação institucional”.
A 31 de julho, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) passou a designar-se Universidade Politécnica de Bragança (UPB), devido à revisão do regime jurídico das instituições de ensino superior, e, no domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que vai ser criada a Universidade de Bragança e do Norte Interior.
Para a federação, este “avanço em tão curto espaço de tempo” revela ausência de estratégia de médio e longo prazo para o sistema de ensino superior e um “sinal de profunda incerteza lançado sobre as expectativas das famílias, dos estudantes e da própria sociedade da região”.
“A FNAEESP reitera que qualquer decisão sobre a arquitetura do sistema de ensino superior português deve ser tomada com base em critérios claros, transparência e, sobretudo, a auscultação efetiva de todos os agentes do setor”, reclama.
A Universidade Politécnica de Bragança é composta por seis escolas: a Escola de Saúde, a Escola de Educação, a Escola Agrária e a Escola de Tecnologia e Gestão, em Bragança, a Escola de Comunicação, em Mirandela, e a Escola de Hotelaria e Bem-estar, em Chaves. Acolhe cerca de 10 mil estudantes, dos quais 30% são estrangeiros.
A criação desta universidade tem merecido elogios de várias estruturas políticas daquela região, desde os presidentes das câmaras de Bragança e Mirandela, aos municípios que integram a Associação de Municípios do Baixo Sabor e à Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes, a considerarem tratar-se de boas notícias para a capacitação da região.
Lusa