O anúncio pelo primeiro-ministro da criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior foi hoje visto com bons olhos pela Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás-os-Montes e a Câmara de Bragança, pelo impacto para o desenvolvimento da região.
Para o presidente da Comunidade Intermunicipal, o anúncio de hoje de Luís Montenegro, da criação da Universidade de Bragança e Norte Interior, é a “cerejinha no topo do bolo” de uma série de investimentos na região, disse à Lusa.
“É um dia feliz. (...) Haver a visão de criar uma universidade que não será só do distrito de Bragança, mas é mais que isso. Ao ter a nomenclatura do interior, terá abrangência muito maior. Agregar e consolidar um centro de conhecimento necessário para desenvolvimento efetivo e sustentável do nosso interior, incluindo o distrito de Bragança e a sub-região transmontana”, destaca o também presidente da Câmara de Vila Flor, eleito pelo PSD.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou hoje a criação da Universidade durante o seu discurso na 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.
O social-democrata nota que o esforço de criação de uma universidade, alicerçada no Instituto Politécnico de Bragança, agora designado Universidade Politécnica de Bragança, deve-se a esta instituição de ensino superior, elogiando o Governo por não ter deixado “para trás” a região, depois das mudanças no Porto e Leiria, entretanto alargadas a outros institutos.
O presidente da CIM transmontana destacou outros avanços no interior do país, das “zonas brancas de cobertura de rede digital” à ponte do rio Maçãs, e diz que o anúncio de hoje é “muito positivo”, por ajudar a capacitar a região em termos de conhecimento, inovação e tecnologia, a partir do “bom trabalho” que já é feito ali.
“Sem conhecimento não há desenvolvimento. (...) Vislumbramos um futuro com estas ferramentas, que poderá ser o que nós realmente quisermos, o que merecemos, como transmontanos, como distrito, como interior. É uma visão muito correta do Governo. Isto, sim, é coesão territorial, não só distribuição litoralizada dos recursos”, defendeu.
Para a presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira (PS), “fez-se justiça” e foram ouvidas as “pretensões do nosso território”.
“A partir do momento em que o politécnico de Leiria e o politécnico do Porto também passaram a universidade, tendo o politécnico de Bragança indicadores científicos e académicos ao mesmo nível e superiores, não se entendia por que razão tinha ficado para trás. Lamento que não tenha sido logo na fase inicial, mas fico naturalmente muito satisfeita por se ter corrigido esse erro”, afirmou.
A autarca é investigadora no Politécnico de Bragança, onde também já foi vice-presidente.
“Lutámos muito para isso. Trouxemos esta dignidade institucional, trouxemos reconhecimento nacional e internacional, nomeadamente em termos científicos e estamos a falar, hoje, de uma instituição que é das poucas politécnicas que tem um quadro de investigadores, foi das primeiras a nível nacional a apostar no quadro de investigadores científicos, tem centros de investigação com classificação de excelência, tem uma diversidade de oferta formativa a vários níveis”, destacou.
Isabel Ferreira entende que esta mudança é “muito importante” para “motivar as instituições e as pessoas que lá trabalham”, numa região que luta pelo desafio demográfico, de baixa densidade populacional.
“Para Bragança é de facto muito importante porque concretiza a visão que a autarquia tem, uma visão de colocar Bragançana centralidade que merece”, vincou a antiga secretária de Estado do Desenvolvimento Regional.
A 31 de julho, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) revelou passar a designar-se Universidade Politécnica de Bragança (UPB), devido à revisão do regime jurídico das instituições de ensino superior.
Ainda assim, o IPB revelou que, apesar de passar a designar-se Universidade Politécnica, quer que a instituição passe mesmo para “universidade”.
“O procedimento destinado à transformação da Universidade Politécnica de Bragança em Universidade encontra-se em desenvolvimento, na sequência da proposta apresentada pela instituição e do amplo consenso alcançado em torno desse objetivo”, vincou então, em comunicado.
A Universidade Politécnica de Bragança é composta por seis escolas: a Escola de Saúde, a Escola de Educação, a Escola Agrária e a Escola de Tecnologia e Gestão, em Bragança, a Escola de Comunicação, em Mirandela, e a Escola de Hotelaria e Bem-estar, em Chaves. Acolhe cerca de 10 mil estudantes, dos quais 30% são estrangeiros.
Lusa