A cabeça de lista do PS à Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, revelou hoje que quer criar habitação a preços acessíveis, para jovens e classe média, através de terrenos do município ou com a aquisição de novas propriedades.
“É preciso fazer urgentemente uma estratégia local de habitação que inclua e pense nos jovens e na classe média”, afirmou à Lusa a candidata.
E para isso, sublinhou, “é preciso adquirir [terrenos] ou avaliar, porque o município já tem terrenos que pode disponibilizar para fazer construção pública, porque se tivermos habitação disponível promovida pelo município, naturalmente que o município poderá fazer um controlo das rendas".
Além disso, Isabel Ferreira quer criar "programas de apoio à renda", mas também de "apoio aos proprietários [de habitações devolutas] no centro histórico para reabilitação daquelas casas".
"O município ficou à espera da livre vontade de cada proprietário, de iniciativa privada, que faz a sua reabilitação, sem haver uma estratégia integrada de regeneração de toda esta zona do centro histórico e isso prejudica o comércio", criticou.
Segundo a candidata socialista, também os bairros sociais precisam de uma intervenção, por estarem em "condições lastimáveis".
Embora reconheça que até já possa haver projetos nesse sentido, Isabel Ferreira entende que o atual executivo, liderado pelo PSD, "não consegue passar do papel à obra".
A habitação é uma das suas prioridades, mas também a instalação de empresas e criação de postos de trabalho, admitindo que o "maior desafio é [Bragança] ser atrativa para pessoas na idade ativa, os jovens e pessoas que precisam de encontrar emprego diversificado".
Por isso, quer "alavancar o investimento privado", através de um "diálogo muito estreito com os empresários", com os que cá estão e com os que quer trazer, e, para isso, entende que "é preciso captar investimento nacional e internacional para Bragança".
O atual gabinete de apoio ao investidor, segundo Isabel Ferreira, "não funciona", um cenário que também promete mudar para que os empresários encontrem ali apoio e possam saber que passos devem dar para colocarem em prática as suas ideias e projetos.
A autarquia deve "ter um pacote de condições que o município oferece para os empresários se instalarem aqui, com terrenos, áreas nas zonas industriais, acesso à habitação", adiantou.
Por outro lado, a candidata não poupou críticas ao executivo municipal, que é liderado pelo PSD há 28 anos, apontando o "desperdício de fundos europeus que estiveram disponíveis como nunca até aqui" e que, na sua opinião, não foram aproveitados, dando como exemplo o Museu da Língua Portuguesa, uma obra que já começou em 2021 e que tem tido vários entraves, e ainda o alargamento do Brigantia Ecopark, uma incubadora de empresas que está neste momento lotada.
"No aviso n.º 86, relacionado com a descoberta empreendedora, mais para laboratórios colaborativos, aqui o Brigantia podia ter um espaço para se expandir, nem que fosse através do laboratório colaborativo que alberga, mas também no próprio aviso está lá que podiam ser parques de ciência e tecnologia", esclareceu.
Além disso, entende que este alargamento devia estar incluído no quadro prioritário de investimentos, tal como o Pavilhão Multiúsos, mas que até agora não foi construído. A candidata promete que ambos projetos sairão do papel.
"Desde 1990, estes últimos dois anos de Paulo Xavier como presidente foram os piores de sempre no que diz respeito ao investimento médio anual, mas também em relação à utilização de fundos europeus", apontou.
O executivo municipal de Bragança é composto por sete elementos, cinco do PSD, o presidente e quatro vereadores, dos quais um é sem pelouro, e ainda dois elementos do PS, ou seja, dois vereadores sem pelouro.
Nestas eleições de 12 de outubro, candidatam-se ao município de Bragança Paulo Xavier (PSD), Isabel Ferreira (PS), Nuno Fernandes (IL), António Morais (CDU), Fernando Afonso (Chega) e Manuel Vitorino (Movimento Independente Somos Bragança).
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Lusa