Duas alunas do Instituto Politécnico de Bragança criaram um manual gerontólogo, com orientações, procedimentos e estratégias, para apoiar profissionais que lidam com pessoas com deficiência em fase de envelhecimento, explicou, hoje, Carolina Nogueiro.
A criação deste instrumento formativo surgiu de uma “lacuna” nacional identificada por Carolina Nogueiro e Margarida Silva, estudantes da Licenciatura de Gerontologia, no Politécnico de Bragança: a falta de “um manual técnico que orientasse a intervenção gerontologia junto de pessoas com deficiência congénita em processo de envelhecimento”.
As duas jovens elaboraram o manual ao longo do último meio ano, durante o estágio no Centro de Educação Especial, da Misericórdia de Bragança, que acolhe pessoas deficientes.
Em declarações à Lusa, Carolina Nogueiro explicou que este livro integra diversas áreas, como o enquadramento teórico da gerontologia, especificidades do envelhecimento em pessoas com deficiência, comunicação, luto, atividades gerontológicas adaptadas e promoção da saúde e envelhecimento ativo.
Segundo a jovem, foi feito com uma linguagem “mais simples” e “estruturada”, contrariando os artigos científicos com linguagem “muito complexa”, dificultando a leitura para estes trabalhadores.
O objetivo é promover “uma intervenção mais estruturada, humanizada e baseada na experiência cientifica” pelos profissionais que trabalham neste tipo de instituições.
Ainda de acordo com a estudante, no interior do país, como Bragança, “nem sempre é fácil ter acesso imediato a formação especializada”, sublinhando a importância da criação deste instrumento.
“Pelo que nós percebemos (…), muitas pessoas não sabem o que é a gerontologia, o que nos deixa aqui [a pensar] como é que vão trabalhar no envelhecimento se não estão preparados”, apontou Carolina Nogueiro.
Este manual será transformado em livro, para chegar às instituições do país que atravessam estes desafios.
Para o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Duarte Fernandes, este manual pode ser uma mais-valia para futuros alunos e profissionais da área.
“Pode servir de base para formação de futuros profissionais. Pegar nesse instrumento e nas formações que são ministradas utilizar esse manual para acrescentar mais qualquer coisa na formação das pessoas”, frisou.
Segundo o responsável da instituição, nas últimas contratações, grande parte dos colaboradores admitidos são imigrantes e, por isso, este manual é importante para a sua formação.
Lusa