O presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, admitiu esta terça-feira que poderá ser necessário ir buscar água a Espanha para abastecer a população da cidade por a seca prolongada estar a esgotar as reservas da região.

A ameaça de rutura no abastecimento a Bragança tem-se repetido nos últimos anos por falta de condições de reserva, obrigando ao transporte de água em camiões cisterna para os depósitos locais a partir de reservas que este ano estão também a sofrer os efeitos da seca.

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Duarte Vieira, afirmou à Lusa que resolver o problema do abastecimento de água a Bragança \"é uma prioridade\", estando a entidade a trabalhar já numa \"nova captação que evite os problemas da seca\".

A albufeira do Azibo, no concelho vizinho de Macedo de Cavaleiros, tem sido a fonte alternativa para Bragança, mas que este ano tem visíveis os efeitos da falta de chuva com a água recuada vários metros nas praias daquele que é espaço de lazer mais procurado no verão, no Nordeste Transmontano e serve também para consumo e rega.

O presidente da Câmara de Bragança teme que a \"situação possa vir a apresentar-se dramática\" por \"na região não haver alternativa e água armazenada em mais lado nenhum, a não ser em Espanha\".

O recurso à ajuda dos vizinhos espanhóis consta do plano de emergência elaborado este ano pelo município, mas o autarca social-democrata não quer \"sequer imaginar\" tal cenário pelos custos e por não existirem no país meios suficientes para montar uma operação desta dimensão.

A única reserva de água para abastecimento a cerca de 30 mil habitantes é a barragem da Serra Serrada que \"ainda tem água para mais 110 dias\", segundo disse, ou seja até quase ao próximo inverno.

O receio de Jorge Nunes manifestado à Lusa é de que a seca se prolongue, sem chuva depois do verão.

Para o autarca, a realidade deste ano prova que o município não tem dramatizado o problema da falta de água por teimosia e que a solução defendida por alguns para o reforço a Bragança a partir do Azibo não é viável, como já tinha sido demonstrado em vários estudos.

Jorge Nunes reiterou que a solução para o problema é a construção da segunda barragem, a de Veiguinhas, prevista há 30 anos para completar o sistema de abastecimento à cidade e aprovada em março pelo secretário de Estado do Ambiente, depois de sucessivos chumbos ambientais por se localizar no Parque Natural de Montesinho.

A nova barragem já tem financiamento aprovado e em fase de conclusão o projeto para a execução da obra que terá de aguardar pela decisão do tribunal sobre uma providência cautelar apresentada pela Quercus para anular a Declaração de Impacte Ambiental que aprova o projeto.

Num esclarecimento enviado à Lusa, a CCDR-N refere integrar, entre outras entidades, \"a Comissão de Acompanhamento Ambiental\", que tem como objetivo \"efetuar o acompanhamento da elaboração do projeto estudos e concretização de ações constantes na Declaração de Impacte Ambiental, por forma a garantir o cumprimento dos prazos previsto para este procedimento de avaliação\".

A criação desta Comissão de Avaliação, presidida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), foi solicitada pela Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, promotora do projeto do \"Reforço do Abastecimento de Água a Bragança\", que passa pela constituição de uma nova reserva de água em Veiguinhas, Montesinho.

O presidente da Câmara alerta que \"os cidadãos (de Bragança) não podem andar sempre com o coração nas mãos\".

\"Não estou a imaginar os cidadãos de Lisboa nessa situação, ou do Porto ou de uma cidade como Paris, isto é uma situação que tem de ser de facto resolvida e por isso é prioritária\", afirmou.



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