O Douro deverá quadruplicar o número de dormidas até 2015. O objectivo foi assumido, ontem, em Lamego, pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, durante uma sessão de apresentação de novos projectos turísticos.

A região registou o ano passado 140 mil dormidas de turistas e o objectivo é que chegue às 600 mil no espaço de seis anos. A nova meta é \"ambiciosa\", como o governante admitiu, mas conta com os empreendimentos do sector que vão começar a ser desenvolvidos e com aqueles que já estão a funcionar, como é o caso do Aquapura Douro Valley, na Quinta de Vale Abraão (Lamego), inaugurado em Junho de 2007, onde decorreu a sessão de ontem.

Uma cerimónia em que se pretendeu que os empresários que já investiram na região dessem o exemplo do que fizeram, bem como falassem da sua experiência para abrir o \"apetite\" a novos investimentos. Foi o caso dos responsáveis do Aquapura; do Vintage House Hotel, no Pinhão (Alijó), e do Solar da Rede (Mesão Frio); e ainda do Hotel Folgosa Douro (Armamar). Este último aberto em Dezembro do ano passado e que juntamente com o restaurante DOC criaram naquela zona ribeirinha um pólo de atracção.

O Vintage House Hotel e o Solar da Rede, do Grupo CS (Carlos Saraiva), foram recentemente sujeitos a obras, num investimento de 2,5 milhões de euros, para os renovar e adaptar aos novos desafios. Do mesmo grupo, o tão falado Douro Marina Hotel Resort, em Mesão Frio, deverá começar a ser construído durante o próximo ano. Destaque ainda para os novos Vintage House II, no Pinhão, que transformará cubas de vinho em quartos; o Grand Douro, em Pala (Baião); e a Quinta do Pego, da RozÚs, em Tabuaço.

Quando todos os projectos estiverem a funcionar, Manuel Pinho acredita que estará criada uma zona turística de \"altíssima qualidade\". E com ela, \"será possível quadriplicar o número anual de dormidas. Sabe-se lá se, até, ir além dessa meta\", confiou. Diogo Vaz Guedes, responsável do Aquapura, acredita mesmo que será possível chamar à região a \"nata dos turistas internacionais\".

Outra meta, traçada por Luís Patrão, presidente do Turismo de Portugal, é a retenção \"por vários dias\" dos turistas que visitam o Douro. Por isso, relevou a importância de \"uma rede de serviços turísticos de qualidade\" e que deverá não esquecer a \"ligação ao vinho, aos escritores da região, entre outros aspectos de animação\". Neste contexto, observa que o Douro tem de criar condições para reter as pessoas \"durante uma semana, ou mais\".

Luís Patrão salientou que é preciso começar a pensar em alargar horizontes e captar \"novas correntes do turismo internacional\" e que podem ser atraídas pela marca \"Vinho do Porto\". Na mira devem estar ingleses, franceses, espanhóis, italianos e dos países nórdicos. O presidente do Turismo de Portugal não esqueceu os americanos que têm no culto da vinha e do vinho um dos seus principais objectivos em termos de visita turística. Ora, se bem promovido junto de alguns nichos de mercado, \"o Douro tende a tornar-se um destino turístico de dimensão mundial\".

De resto, o turismo tem vindo a ser assumido como fundamental para desenvolver o Douro, umas das regiões mais pobres da Europa. O ministro da Economia reconheceu que o apoio do Estado \"tem sido limitado\", o que \"mostra que há empresários que sabem correr riscos\" ao criar \"unidades do melhor que há no Mundo\". Manuel Pinho revelou ainda dispor de \"recursos, em termos de capital de risco, que sempre que for julgado conveniente podem ser usados para apoiar projectos\".



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investimento superior a 250 mil euros