O município de Miranda do Douro viu aprovada uma candidatura de 1,4 milhões de euros que serão investidos na proteção e valorização do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), foi hoje anunciado.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da câmara de Miranda do Douro, Helena Barril, disse que o projeto reúne sete ações que vão permitir recuperar habitats naturais, melhorar percursos e miradouros, criar novos espaços de educação ambiental, envolver a comunidade e reforçar a proteção da biodiversidade.

“Queremos deixar um território mais resiliente às alterações climáticas, mais preparado para o futuro e, ao mesmo tempo, mais atrativo para quem vive, trabalha e visita Miranda do Douro e o PNDI na área do nosso concelho”, explicou a autarca social-democrata da do distrito de Bragança.

Segundo Helena Barril, uma das ações passa pelo território de São João das Arribas onde um dos objetivos é proteger este espaço, recuperando caminhos, muros tradicionais e vegetação autóctone, criando também uma faixa de proteção contra incêndios e melhorando a segurança de quem visita este local.

Já na cidade de Miranda do Douro, uma das ações é a criação do Centro de Conhecimento para o Restauro da Natureza, que ficará instalado no edifício da antiga estação de camionagem e permitirá divulgar toda a riqueza natural do PNDI, com recurso a exposições, com conteúdos multimédia e atividades educativas.

Ao mesmo tempo, será recuperado o percurso pedonal entre a cidade e o rio Douro, tornando-o mais seguro, acessível e integrado na natureza.

Nas arribas da Freixiosa será recuperado o acesso ao miradouro, substituir estruturas degradadas, restaurar a vegetação autóctone e instalar nova sinalização, para aumentar a segurança dos visitantes e, ao mesmo tempo, proteger habitats onde vivem espécies muito importantes para esta área protegida.

Outra intervenção está prevista para Picote, na zona do Barrocal e da Fraga do Puio.

“Vamos criar um trilho interpretativo, melhorar os acessos e instalar sinalização que permita conhecer melhor o património natural e geológico desta área. O objetivo é ordenar a visitação, proteger este espaço e valorizar um dos locais mais extraordinários do nosso território”, explicou Helena Barril.

Esta candidatura também aposta na renaturalização de várias áreas, onde em cerca de dez hectares serão substituídas monoculturas de ciprestes e pinheiros por espécies autóctones, como sobreiros, azinheiras, medronheiros e carvalhos, sendo que esta mudança permitirá aumentar a biodiversidade, proteger os solos, reduzir o risco de incêndio e criar ecossistemas mais resilientes e sustentáveis para o futuro.

Já em Sendim, está previsto recuperar o percurso que liga a vila ao cais fluvial do Douro, onde a intervenção prevê a reabilitação do caminho, estabilização de taludes, recuperação de muros tradicionais, plantação de espécies autóctones e instalação de sinalização.

“A última ação desta candidatura centra-se nas pessoas, onde a autarquia de Miranda do Douro pretende envolver escolas, associações, investigadores, habitantes e visitantes na proteção da área protegida do Douro Internacional. Vamos promover atividades de educação ambiental, programas de ciência cidadã, conteúdos multimédia, eventos, formações e ações de sensibilização”, indicou.

Esta candidatura foi aprovada no âmbito do Programa Portugal 2030 e está englobada nos planos da Cogestão do PNDI.

O PNDI é a segunda maior área protegida do país e abrange um território em que o rio Douro constitui a fronteira entre Portugal e Espanha, bem como o rio Águeda, afluente do Douro. Inclui áreas dos municípios de Mogadouro, Miranda do Douro, Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, e Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, ao longo de 122 quilómetros e numa área de 85.150 hectares de terreno.

Foto: António Pereira



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