O presidente da Câmara de Chaves acusou hoje a ministra da Saúde de um “incumprimento total” relativamente ao hospital local, desde a ampliação do horário da urgência pediátrica à criação de uma Unidade Local de Saúde (ULS).
“O que nós percebemos é que temos uma situação de incumprimento absoluto, total, por parte da senhora ministra”, afirmou Nuno Vaz, que falava numa conferência de imprensa que decorreu em frente ao Hospital de Chaves, inserido na Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD).
Em dezembro, o autarca socialista alertou, no mesmo local, para os problemas que afetam o Hospital de Chaves, regressando hoje para denunciar que Ana Paula Martins “não contribuiu para a resolução de nenhum dos problemas estruturais” que esta unidade hospitalar apresenta.
O autarca apontou à ampliação do horário de funcionamento da urgência pediátrica, que atualmente funciona das 08:00 às 20:00 de segunda a sexta-feira, ao internamento no serviço de pediatria e ainda a abertura dos cuidados intermédios, que esteve prevista para o mês de maio, sem que se tenha ainda concretizado.
Em dezembro, o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, assumiu o compromisso de ampliar o funcionamento da urgência pediátrica do Hospital de Chaves até às 22:00, sete dias por semana, medida que, no entanto, disse ficar dependente do reforço de médicos.
“Já era uma solução de transigência, uma resposta incompleta, mas para nós era um primeiro passo, um sinal de boa vontade, que era que as urgências pediátricas funcionassem todos os dias, de segunda a domingo, das 8:00 às 22:00. Pois, mais uma promessa incumprida”, referiu Nuno Vaz.
Depois de, em novembro de 2024, Ana Paula Martins ter admitido a criação de uma ULS no Alto Tâmega, centrada no Hospital de Chaves e reclamada desde 2011, apontando, na altura, que este não seria um processo simples e que demoraria algum tempo, esta semana, também no parlamento, a ministra foi novamente questionada sobre o tema e revelou que o Governo não tem a garantia de que os profissionais aceitam ficar efetivamente numa nova ULS.
Em comunicado, o PS acusou a ministra de “voltar atrás” na criação da ULS.
“Exigimos à senhora ministra que explique as razões desta mudança de opinião, esta mudança de decisão, mas sobretudo que explique por que é que antes havia estudo e parece que agora já não há”, salientou hoje Nuno Vaz, lembrando um estudo que seria feito sobre a criação da ULS do Alto Tâmega e Barroso.
Para o autarca, a criação da nova ULS poderia resultar num “ganho fundamental” para a resposta na área da saúde neste território.
Nuno Vaz disse que o que se espera é que a ministra da Saúde “possa resolver problemas e não apenas que identifique causas”.
“Em finais de setembro de 2026 esperávamos verdadeiramente que se tivessem dado passos significativos na urgência pediátrica, esperávamos também uma solução e que rapidamente se implementasse o internamento em pediatria, e depois a nossa expectativa é que já se estivesse a fechar os cuidados intermédios”, frisou, lembrando que Ana Paula Martins foi eleita deputada pelo distrito de Vila Real nas últimas eleições legislativas.
O autarca adiantou que este assunto irá ser levado à Assembleia Municipal de Chaves e que poderão ser delineadas ações conjuntas entre os autarcas de câmaras e juntas deste território.
Lembrou ainda as inúmeras diligências feitas desde 2011 junto do Governo, em ofícios ou reuniões presenciais, sobre o hospital de Chaves.
“Nós estamos dispostos a fazer tudo o que seja legítimo”, sublinhou.
O Hospital de Chaves serve cerca de 80 mil pessoas dos concelhos do Alto Tâmega (Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar e Valpaços) e, segundo Nuno Vaz, “há uma perceção na comunidade que há uma desatenção, uma perda crescente da capacidade de resposta em serviços essenciais”.
Lusa