Apenas duas escolas, uma pública e outra privada, obtiveram média negativa nos exames nacionais do secundário em 2020, segundo uma análise feita pela Lusa, que revela que os colégios continuam a ter melhores resultados.

A Escola Secundária José Cardoso Pires, em Lisboa, e o Externato Académico, no Porto, são os únicos estabelecimentos de ensino com um resultado médio negativo nas provas realizadas no verão de 2020, segundo dados do Ministério da Educação tratados pela Lusa tendo em conta as 512 escolas com pelo menos cem provas realizadas.

Em Lisboa, a média dos alunos da Escola Secundária José Cardoso Pires, foi de 9,2 valores e, no Porto, os alunos do Externato Académico obtiveram uma média de 9,93. Todos os outros 510 estabelecimentos de ensino tiveram média positiva.

Comparando com o ano anterior, observa-se uma subida significativa das notas: dos 514 estabelecimentos analisados então pela Lusa, 104 tiveram média negativa nas provas realizadas em 2019, ou seja, uma em cada cinco escolas “chumbava”.

As notas dos alunos subiram em 2020 devido às novas regras impostas pela pandemia de covid-19: por um lado, os testes tinham perguntas obrigatórias e opcionais, permitindo aos alunos escolhe pelas questões em que se sentiam mais seguros, sendo contabilizadas apenas as melhores respostas.

Por outro lado, as provas só eram exigidas a quem quisesse seguir para o ensino superior, porque só contaram para a média de acesso às universidades e politécnicos, tendo deixado de ser obrigatórias para a conclusão do secundário.

O resultado foi uma subida de cerca de dois valores (numa escala de zero a 20) das notas médias dos estabelecimentos públicos e privados, tendo em conta os mais de 217 mil exames realizados no verão de 2020.

A média nacional dos alunos dos colégios foi de 14,39 valores (no ano anterior foi de 12,69) e das escolas públicas foi de 12,89 valores (10,95 no ano anterior), segundo uma análise da Lusa, que revela que se mantêm a tendência de subida ligeira da média das notas registadas nos últimos anos.

Com uma média de 17,61 valores, o Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, volta a ser a escola com a melhor nota do 'ranking' elaborado pela Lusa, que excluiu os estabelecimentos de ensino com menos de 100 provas.

Em 2020, também o segundo lugar volta a ser ocupado pelo Colégio D. Diogo de Sousa, em Braga, seguindo-se o Grande Colégio Universal, no Porto.

Com uma média de 15 valores, a primeira escola pública é a Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra, e surge em 34.º lugar do 'ranking', o que significa que as escolas públicas voltam a descer na tabela geral, desta vez dois lugares.

Em 2019, a melhor pública foi a Básica e Secundária Dr. Serafim Leite, em São João da Madeira, que aparecia em 32.º lugar do 'ranking' geral.

As notas da 1.ª fase dos exames melhoraram em todas as disciplinas, à exceção de Matemática Aplicada às Ciências Sociais.

Nesta subida média destacam-se disciplinas como Biologia e Geologia ou Geografia A, em que houve um aumento superior a três valores (numa escala de zero a 20).

Mais uma vez, as raparigas obtiveram melhores resultados, em especial em áreas como Matemática, Física e Química ou Espanhol, enquanto os rapazes foram melhores apenas a Geografia, História e Geometria Descritiva.

As alunas obtiveram uma média de 13,25 valores (no ano anterior foi de 11,27), enquanto os rapazes tiveram 12,85 (em 2019 foi de 11 valores), o que representa uma melhoria de cerca de dois valores em ambos os sexos (numa escala de zero a 20).

Em 2020, Viana do Castelo é o distrito com a melhor média nos exames nacionais do ensino secundário, seguindo-se Coimbra e o Porto.

Notas nos exames sobem mas públicas continuam a descer na tabela geral

A escola pública com melhores resultados nos exames nacionais do secundário de 2020 fica no distrito de Coimbra e aparece em 34.º lugar de um 'ranking' elaborado pela Lusa, que analisou 512 estabelecimentos de ensino públicos e privados.

Os alunos da Escola Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra, realizaram 650 exames e a média das provas foi de 15,01 valores (numa escala de zero a 20), colocando o estabelecimento de ensino em primeiro lugar na lista que ordena apenas as médias nas escolas públicas e em 34.º lugar de uma tabela que junta ensino privado e público.

Em relação ao ano anterior, os estabelecimentos de ensino público voltam a descer – agora dois lugares - na tabela que prioriza as médias dos alunos nos exames nacionais do ensino secundário (no ano passado, a primeira pública ocupava o 32.º lugar), segundo uma análise realizada pela Lusa com base em dados do Ministério da Educação.

Os alunos da Secundária Eça de Queirós, na Póvoa do Varzim, obtiveram a segunda melhor média no ensino público (14,76 valores), seguindo-se a Escola Básica e Secundária D. Filipa de Lencastre, em Lisboa, segundo a tabela realizada pela Lusa, onde não aparecem as escolas secundárias com menos de 100 exames realizados.

Estes são três estabelecimentos de ensino que aparecem com frequência no topo das listas das escolas públicas com melhores resultados nos exames. Tanto a Infanta Dona Maria, em Coimbra, como a Filipa de Lencastre, em Lisboa, situam-se em bairros privilegiados das duas cidades e a maioria dos seus alunos pertence a classes socioeconómicas mais favorecidas.

No geral, as escolas públicas voltam a descer na tabela geral que compara resultados médios dos alunos de estabelecimentos públicos e privados nos exames nacionais, mas as médias subiram em relação ao ano anterior. Este fenómeno registou-se tanto nos colégios como nas escolas públicas: as médias no privado foram de 14,39 valores e no público de 12,89 valores.

À exceção de Matemática Aplicada às Ciências Sociais, as notas dos exames melhoraram em todas as disciplinas devido às novas regras impostas pelo impacto da pandemia de covid-19, que obrigou à suspensão das aulas presenciais entre o final do 2.º período e primeiras semanas do 3.º período.

No ano passado, os testes tinham perguntas obrigatórias e outras opcionais permitindo aos alunos escolher as questões em que se sentiam mais seguros, sendo que só eram contabilizadas as melhores respostas.

Além disso, as provas só eram exigidas a quem quisesse seguir para o ensino superior, porque só contavam para a média de acesso às universidades e politécnicos, tendo deixado de ser obrigatórias para a conclusão do secundário.

Num universo de 512 escolas analisadas, apenas duas obtiveram média negativa sendo uma pública e outra privada, segundo uma análise da Lusa a 217.176 provas.

Assim, a percentagem de escolas públicas com nota positiva subiu de 77,8% (no ano passado) para 99%.

Numa comparação entre rapazes e raparigas, elas voltam a obter melhores resultados médios (13,25 valores contra 12,85 valores conseguidos pelos rapazes).

Esta é a lista das 10 melhores e das 10 piores escolas do país com base nos resultados dos exames, referindo nome do estabelecimento, distrito e média dos exames.

10 melhores:

  • Colégio Nossa Senhora do Rosário (Porto) — 17.61015119
  • Colégio D. Diogo de Sousa (Braga) — 17.38389121
  • Grande Colégio Universal (Porto) — 17.15878788
  • Colégio de S. Tomás (Lisboa) — 16.92457627
  • Colégio de Nossa Senhora da Assunção (Aveiro) — 16.92192982
  • Colégio São João de Brito (Lisboa) — 16.74906667
  • Colégio Integrado de Monte Maior (Lisboa) — 16.73806818
  • Colégio Nova Encosta (Porto) — 16.64031008
  • Colégio Luso-Francês (Porto) — 16.44880383
  • Colégio Paulo VI, de Gondomar (Porto) — 16.43494624

10 piores:

  • Escola Secundária do Lumiar (Lisboa)  — 10.5238806 105.238806
  • Escola Secundária António Nobre (Porto) —  10.50491803 105.0491803
  • Escola Básica e Secundária D. João V, na Damaia (Lisboa) — 10.49432314 104.9432314
  • Escola Secundária D. Dinis (Lisboa) — 10.4348285 104.348285
  • Escola Básica e Secundária Francisco Simões (Setúbal ) — 10.36344828 103.6344828
  • Escola Básica e Secundária Passos Manuel (Lisboa) — 10.30662252 103.0662252
  • Escola Secundária Dom Manuel Martins (Setúbal) — 10.19411765 101.9411765
  • Escola Secundária Matias Aires, em Mira-Sintra (Lisboa)  —  10.17567568 101.7567568
  • Externato Académico (Porto) — 9.93356974 99.3356974
  • Escola Secundária José Cardoso Pires, em Santo António dos Cavaleiros (Lisboa) — 9.220125786

 

Distrito de Bragança

Distrito de Vila Real

Quase um em cada quatro alunos do 12.º ano “chumbou” ou abandonou a escola em 2018/2019, uma média nacional que esconde realidades como a de Belmonte e Manteigas, terras vizinhas, mas separadas pelas diferentes taxas de retenção ou desistência.

Existem cinco distritos com taxas acima da média nacional, em especial no 12.º ano. Faro é o caso mais grave no 12.º ano, com 29% dos alunos inscritos a desistir ou a reprovar, seguindo-se Lisboa (28% no 12.º ano) e depois os distritos de Setúbal, Beja e Bragança (este último com uma taxa de 25%).

Apenas um em cada três alunos carenciados concluiu o secundário sem “chumbar” nem ter negativa nos exames nacionais, mas existem escolas públicas que já começaram a contrariar essa ligação entre insucesso escolar e pobreza. 

Estas são conclusões da análise feita pela agência Lusa ao novo indicador intitulado equidade, criado este ano pelo Ministério da Educação para encontrar os estabelecimentos de ensino onde os alunos em situação socioeconómica mais frágil têm sucesso escolar. 

 

 



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