Foram 916 quilómetros, de Chaves a Faro, num percurso de três dias que tão cedo não será esquecido pelos 214 participantes que em todo o tipo de motos ficaram marcados para sempre nos seus espíritos aventureiros.

 

Três dias de aventura ímpar proporcionaram uma visão única e bem diferente de Portugal a mais de duas centenas de motards que navegaram através do mapa nacional, de norte a sul, sempre por caminhos de terra batida e reduzindo ao mínimo indispensável a utilização de estradas asfaltadas. Uma aventura sem igual cortando paisagens deslumbrantes na ligação de Chaves a Faro, foi prémio para tamanha ousadia dos 214 mototuristas que responderam ao desafio lançado pela Federação de Motociclismo de Portugal (FMP), entre os dias 14 e 17 de setembro.

Os amantes das duas rodas puderam apreciar as variações de paisagem e clima, de fauna e flora, de arquitetura e distintos modos de vida, semeadas ao longo da estrada de maior extensão em território lusitano, num desafio renovado de fazer mototurismo em off-road lançado pela Federação, que decidiu, desta forma, mostrar o melhor do nosso país, através das mais pitorescas estradas nacionais.

Na 2ª edição do Portugal de Lés-a-Lés foram 916 os quilómetros (Km) feitos para ligar o norte e o sul, entre Chaves e Faro com passagem pelo Fundão e Évora, com mais de 650 km através de caminhos de terra batida, repletos de íngremes descidas nas serras nortenhas, num contraste claro com as amplas planícies alentejanos, das subidas entre os vinhedos do Alto Douro Vinhateiro aos recurvados trilhos da serra algarvia.

Os mototuristas referiram-se a momentos únicos de prazer de condução, de boa disposição e camaradagem, que começaram na madrugada flaviense rumo a primeira etapa debruada com nuvens ameaçadoras, mas incapazes de perturbar o espírito aventureiro dos 214 participantes em todo o tipo de motos, das mais leves enduristas às maiores das maxi-tail. Máquinas verificadas na véspera, em Chaves, depois de uma viagem até terras transmontanas marcada por algum nevoeiro e céu carregado, tornando mais sombrio o cenário dantesco proporcionado pelo negrume da praga incendiária.

Panorama diferente no dia seguinte, de nuvens intercaladas com pedaços de céu azul acompanhando a caravana na descida ao Douro antes da passagem por São João da Pesqueira, onde o primeiro reabastecimento sólido ajudou a recuperar energias numa zona de pistas bastante exigentes. Paragem para digerir as primeiras emoções, através de paisagens de cortar a respiração carregadas de aromas sempre reveladores da região atravessada. Do cheiro da flora autóctone nortenha, de pinheiros, carvalhos e sobreiros, aos vinhedos durienses em início de época de vindimas, ao aroma dos campos de centeio acabado de cortar em terras beirãs, exponenciado por algumas gotas de chuva que ajudaram a amaciar o piso e evitar o pó. Mas sentiu-se também, a caminho do Fundão, onde acabou a tirada, o característico cheiro a urze, zimbro e plantas aromáticas que caracterizam a serra da Estrela. Depois, seguiu-se a cidade de Évora, terminando tamanha aventura por terras algarvias, mais precisamente em Faro. E foi o ponto final desta “viagem” de três dias delineada pela Comissão de Mototurismo da FMP, que proporcionou aos participantes a possibilidade de apreciarem locais inesquecíveis e de majestosa imponência.

Foram momentos de diversão e descoberta na aventureira travessia continental, só possível através de caminhos de todo-o-terreno, com grau de dificuldade acessível e menos ligações em asfalto relativamente à anterior edição, em percurso que foi do agrado de todos os amadores como de alguns dos mais consagrados pilotos nacionais. Do dakariano Mário Patrão, ao vice-campeão do Mundo de Enduro, Luís Oliveira, do primeiro português a participar no Dakar, António Lopes, ao primeiro a vencer uma etapa, Paulo Marques, do pluri-campeão nacional de Motocrosse, Supercrosse e Enduro, António Oliveira, ao rápido e irreverente João Rosa. E, longe de ser uma corrida, a todos agradou a sã convivência e verdadeiro espírito mototurista do Portugal de Lés-a-Lés.

Absolutamente desprovido de qualquer intuito competitivo, o evento da FMP serviu, essencialmente, para descontrair do mundo das corridas, recordar os prazeres do fora-de-estrada ou, simplesmente, desfrutar com amigos as belas paisagens oferecidas pelo 2º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road.

Alguns dos mais galardoados pilotos nacionais de todo-o-terreno deram nas vistas não só pelos inegáveis dotes de condução mas, sobretudo, pela disponibilidade e simpatia. Partilharam os trilhos, experiência e histórias únicas, contribuindo para um ambiente de excelente disposição e grande animação, ajudando, inclusive, outros participantes a resolver problemas mecânicos, sublinhando o espírito solidário desta aventura que se pretende sem vencedores.

 

Galeria fotográfica em: http://www.diariodetrasosmontes.com/fotogaleria/2o-portugal-de-les-les

 

 



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