Em Janeiro cantam-se as janeiras, as músicas feitas e cantadas para "estrear" o novo ano.

Em Janeiro pode plantar-se quase tudo, desde as cebolas e das alfaces às roseiras, num retomar sincronizado do ciclo da vida.

E de Janeiro se fazem palavras que ilustram bem as propriedades deste mês que começa precisamente sete dias depois do solstício de Inverno e que foi em tempos o undécimo do calendário: janeirento, (diz-se do gato que neste mês fica com o cio), Janeira (diz-se de uma variedade de maçã), janeireiras, diz-se, por exemplo, das primeiras chuvas do ano, e janeirinha, que para além de ser o nome por que ficou conhecida uma rebelião popular contra o chamado "imposto de consumo" e 1868 e que viria a estar na origem do título do periódico "Primeiro de Janeiro", é também a bolota de sobreiro de "terceira camada" que amadurece neste mês.

E por fim Janeiro é o mês que os adágios privilegiam. Aqui ficam alguns:

"Não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro".

"Água de Janeiro todo o ano tem concerto".

"De flor de Janeiro ninguém enche o celeiro".

"Minguante de Janeiro corta madeiro".

"Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso, Maio ventoso, fazem o ano formoso".

"Em Janeiro põe-te no outeiro, e se vires verdear, põe-te a chorar, e se vires terrear, põe-te a cantar".

"Sol de Janeiro anda sempre atrás do outeiro".

Enfim. Coisas de um mês a que em boa hora Numa Pompílio deu estatuto de primeiro, ao reformar o calendário antigo.



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