O Tomate Coração de Boi é o fruto-rei do verão do Douro, gerando economia e permitindo quebrar a sazonalidade do enoturismo, numa altura em que se celebram 11 anos da Festa que o promove em toda a região.

A Festa do Tomate Coração de Boi do Douro regressa em 21 de agosto, promovida pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro, com um programa que atravessa o território e elege o melhor fruto da temporada, na Quinta do Mourão, em Lamego, distrito de Viseu.

A iniciativa conta com a participação dos principais produtores de vinhos do Douro e estende-se ao longo de todo o mês, com menus dedicados ao fruto em mais de 30 restaurantes da região.

O projeto arrancou em 2016 para juntar produtores de vinho e reabilitar as hortas de quinta, numa altura em que o fruto estava em vias de extinção.

Uma década depois, são mais de 50 as quintas que produzem vinho e tomate coração de boi.

A Quinta de Ventozelo, em Ervedosa do Douro, concelho de São João da Pesqueira, distrito de Viseu, aderiu prontamente à iniciativa, tendo participado na primeira edição.

“É uma forma de as quintas comunicarem entre elas e estarem juntas, sem o assunto vinho, que é aquilo que nos une. Foi um outro fruto, o tomate coração de boi, que acabou por nos pôr a comunicar mais e a estarmos hoje mais juntos com este propósito das produções agrícolas”, destacou à Lusa o diretor, João Paulo Magalhães.

O responsável afirmou que o fruto permite quebrar a sazonalidade do enoturismo de um território em que o 'terroir' “é um fator determinante”.

“Agosto não seria um mês para uva. Houve muita chuva, depois o calor fez adiantar [o processo] e é talvez dos anos mais produtivos em fruta, portanto, creio que para o tomate vai ser extraordinário, porque este ano já está a ser melhor que 2025”, defendeu.

João Paulo Magalhães tem “uma vida inteira ligada à cozinha”, afirmando que “faz todo o sentido para o enoturismo diversificar os produtos que servem a gastronomia”, valorizando “o produto, o território e a produção local”.

“Estamos aqui para provocar estes sabores do vinho, da comida e de tudo o que for produzido no Douro. Temos imensas reservas direcionadas a esta ligação ao tomate de coração de boi, uma vez que a [nossa] cantina tem um menu dedicado ao fruto, que inclui uma bebida com tomate e vinho do Porto”, frisou.

Ventozelo foi uma das quintas vencedoras da 10.ª edição da Festa do Tomate Coração de Boi, tendo em marcha um concurso que junta as artes plásticas ao fruto e o objetivo futuro de “ter uma semente da região”.

Já na aldeia de Vale de Figueira, em Tabuaço, Leonel Fernandes reuniu um pequeno grupo de agricultores que vendem o fruto a vários hotéis e restaurantes da região, alguns com estrela Michelin.

“Este ano o [tomate] coração de boi está um bocadinho mais atrasado e ligeiramente mais pequenino, mas isto é consequência do calor que tem estado. A nível de qualidade, está com muito sabor, a cor também está muito boa e, para já, as perspectivas que há é para haver bom coração de boi”, adiantou o produtor daquele concelho do distrito de Viseu.

O também distribuidor está agora dedicado ao escoamento do fruto, com centenas de quilos já disponíveis.

“O tomate coração de boi é produzido na aldeia de forma 100% biológica, sem qualquer fitofármaco. Além de produzir, faço a comercialização do produto, tenho um preço ao lavrador e, depois, vendo aos restaurantes, consoante as encomendas. A totalidade da produção anda à volta dos 1.800 quilos a duas toneladas, por temporada”, frisou.

Para Leonel, o fruto “gera alguma economia”, sendo “uma boa ajuda para os agricultores”, numa altura em que denota uma quebra na procura.

“Acho que o preço [do tomate] tem de se manter, mas este ano o Douro está mais pobre um bocadinho, as vendas quebraram, mesmo a nível de restauração e noutros produtos, como a batata e a cebola. Não há tanta procura como no ano passado e penso que se deve a uma quebra no turismo da região”, alertou.

De acordo com a Greengrape, empresa organizadora da festa, o tomate coração de boi gera economia nos restaurantes do Douro, existindo alguns que gastam mais de duas toneladas de produto por época.

“O principal propósito é gerar atratividade na região e elevar a riqueza do Alto Douro Vinhateiro, existindo outros produtos que podem replicar o que se faz no tomate, como os frutos de época baixa, como a laranja e até a azeitona”, reiterou Celeste Pereira.




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