O sindicato defendeu, hoje, que o Governo deve tomar medidas e financiar o matadouro do Cachão, em Mirandela, distrito de Bragança, para impedir que feche, devido ao processo de insolvência que decorre desde abril.
O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) apontou o dedo ao Governo, que na quarta-feira se reuniu em Conselho de Ministros em Bragança, por não apresentar “uma única medida, uma solução ou sequer uma intenção concreta de intervenção”, para que o matadouro não encerre, após um pedido de esclarecimento do PCP, na Assembleia da República.
“O Governo reconhece a importância territorial do matadouro industrial do Cachão e os potenciais efeitos do seu encerramento, no entanto, deve ser salvaguardado simultaneamente o cumprimento da legislação aplicável a sustentabilidade da exploração e o respeito pelas entidades administrativas, dos municípios, da entidade proprietária e dos órgãos do processo de insolvência”, respondeu o Governo, ao PCP, citado do sindicato.
No entanto, o delegado sindical, Eduardo Andrade, salientou que é “precisamente a sustentabilidade da exploração que não está garantia” e que “era importante que o Governo a assegurasse”.
“Aquilo que nós achamos é que o Governo devia meter ali as mãos, o Ministério da Agricultura devia meter ali as mãos, porque estamos a falar de uma infraestrutura altamente importante para a região, para manutenção do equilíbrio social e económico da região e o Governo, no dia que faz um Conselho de Ministros em Bragança, para dar a entender que está preocupado com as questões do Interior do país, dá uma resposta destas”, criticou.
Por isso, na ótica do sindicato, o Governo deveria injetar “dinheiro dos contribuintes” nesta unidade de abate do concelho de Mirandela, para “a modernizar, para lhe dar alguma solidez de base”, e que garantisse a gestão da infraestrutura é "acompanhada por alguém que faça o escrutínio da boa gestão”.
“Não há nenhuma outra infraestrutura que dê a resposta que dá o matadouro do Cachão. Se o matadouro do Cachão fechar neste momento, a maioria dos produtores passarão a ter de levar os animais para abate para Penafiel”, reiterou Eduardo Andrade.
Em abril deste ano, o Matadouro Industrial do Cachão entrou em processo de insolvência, solicitado por um dos credores, a Ares Lusitani, depois de uma dívida que terá chegado a perto de um milhão de euros.
Os municípios de Vila Flor e de Mirandela, acionistas maioritários, entregaram um plano de recuperação desta unidade de abate ao administrador da insolvência.
Os trabalhadores já chegaram a anunciar uma greve, por atrasos no pagamento de salários e subsídios de férias, mas acabou por ser cancelada. A unidade emprega 23 pessoas, “na maioria com idades entre os 63 e 66 anos”.
No distrito de Bragança, além do matadouro do Cachão, em Mirandela, há ainda uma unidade de abate em Bragança e em Vinhais, e está ainda a ser construída uma em Mogadouro e outra no concelho de Miranda do Douro.
Foto; António Pereira
Lusa