O Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, reabre ao público a 10 de outubro, depois de quatro anos encerrado para obras de requalificação e ampliação, no valor de mais de dois milhões de euros.

A diretora do Museu Terra de Miranda (MTM), Celina Pinto, disse hoje à agência Lusa que as obras de ampliação e requalificação do museu foram demoradas e levaram cerca de quatro anos até ficarem concluídas, sendo agora possível a reabertura ao público no próximo dia 10 de outubro.

“As intervenções e ampliação do imóvel contaram com vários financiamentos, como do Pleno de Recuperação e Resiliência [PRR] e do NORTE 2020, num investimento global que ultrapassa os dois milhões de euros. Durante este tempo o museu funcionou provisoriamente no espaço do antigo Paço Episcopal”, explicou a diretora do MTM, no distrito de Bragança, à Lusa.

A reabertura do MTM tem previsto, para o dia 10 de outubro, segundo a responsável, um conjunto de iniciativas culturais, como o espetáculo “L'AMPEÇO”, desenvolvido com as comunidades locais sob orientação artística da Ondamarela, e a exposição temporária “Ramos de Oferenda da Terra de Miranda”, dedicada a esta tradição associada ao ciclo agrícola, ao pão e à celebração comunitária.

“Apresentando-se como um espaço renovado de descoberta, participação e encontro com a cultura e identidade da Terra de Miranda, o museu traz para o centro da experiência museológica não apenas os objetos mas também os saberes, as práticas, as memórias, as vozes e as pessoas que lhes dão significado”, indicou Celina Pinto.

A gastronomia, a cutelaria, a tanoaria, as tradições religiosas e populares e o próprio território são alguns dos temas que integram o novo percurso museológico.

“A estes junta-se uma dimensão fundamental da identidade local: a língua mirandesa, que surge como língua principal da nova experiência do Museu, que se torna assim no primeiro espaço museológico de Portugal onde convivem o português e o mirandês”, sublinhou.

Para a responsável pelo MTM, esta é também uma forma de reconhecer que o património não vive apenas nas vitrinas.

“Vive nas palavras que se dizem, nas mãos que trabalham, nas receitas que se transmitem, nos rituais e nas histórias que continuam a ser contadas. Mais do que um espaço de conservação de objetos, o MTM pretende afirmar-se como um lugar interação e descoberta, aproximando diferentes públicos do património material e imaterial da região”, disse Celina Pinto.

A nova abordagem inclui experiências que convidam a ouvir, tocar e experimentar, reforçando a ligação entre o museu, o território e as suas comunidades através das novas tecnologias de comunicação e interação.

“Com esta reabertura, MTM reforça o seu papel na valorização e divulgação do património cultural da região, dando espaço às suas memórias e tradições, mas também às formas como estas continuam a ser vividas e recriadas no presente”, destacou a diretora.

As obras de ampliação e beneficiação do MTM, que eram uma ambição bem antiga dos mirandeses, foram iniciadas em 17 de dezembro de 2022.

O MTM está instalado num edifício do século de XVII no centro histórico de Miranda do Douro, que não possuía "uma estrutura física adaptada e capaz de responder à função museológica que lhe foi adstrita, quando da sua criação”.

Pelo seu acervo e missão, porém, o MTM é detentor de um potencial “incondicionalmente único no contexto nacional”.

Fundado pelo investigador e padre António Maria Mourinho, e a sua abertura ao público ocorreu a 18 maio de 1982.

Foto: António Pereira



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