O inventário da Capa de Honras Mirandesa está concluído, contando com cerca de 200 exemplares, disse hoje a autarquia, acrescentando que esta inventariação é um passo importante para a classificação desta peça de vestuário como património cultural imaterial.
“Neste momento já conseguimos registar cerca de 200 capas na plataforma MatrizPCI [o sistema de gestão do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial] para a sua salvaguarda e arte do saber fazer. O processo de inscrição foi concluído, sendo esta uma medida de salvaguarda desta peça de vestuário que teve início em 2022. Após a inscrição das capas vai-se aguardar um, dois ou três anos para que seja reconhecida com Património Cultural Imaterial”, disse à Lusa a presidente da Câmara de Miranda do Douro, Helena Barril.
De acordo com a autarca deste concelho do distrito de Bragança, dado o valor cultural desta peça de vestuário, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) inscreveu, em novembro de 2022, a Capa de Honras Mirandesa no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI).
O pedido de registo foi proposto em 10 de julho de 2022 pela Câmara Municipal de Miranda do Douro, que desenvolveu um trabalho de investigação para aprofundar o conhecimento desta arte, “com o objetivo da sua inventariação na plataforma MatrizPCI”.
Helena Barril vincou “que a capa é algo em que se tem vindo a trabalhar e que adquiriu uma outra visibilidade após a inscrição no inventariado.
“Todos os anos temos de tomar medidas de salvaguarda e concretizar vários eventos para se provar o significado que esta peça de vestuário tradicional tem”, disse.
Helena Barril defendeu ainda que é preciso cuidar da capa “e não a tornar banal”, justificando que “esta peça de vestuário tem o seu peso histórico”.
Alcides Meirinhos, membro da Associação de Língua e Cultura Mirandesas, afirmou que esta peça de vestuário é tão antiga como a própria língua mirandesa.
“Esta é uma peça da identidade da Terra de Miranda, por ventura do mesmo tempo da língua mirandesa, que conta com vários séculos de história. Trata-se de um peça que está enraizada no povo porque é um vestuário que os defendia das intempéries”, indicou.
A Capa de Honras Mirandesa é uma peça de vestuário adotada inicialmente por boieiros e pastores e, mais tarde, assumida como símbolo de fidalguia e prestígio social. Hoje é reconhecida como uma das marcas identitárias da Terra de Miranda.
Palmeira Falcão, uma das artesãs que confeciona a Capa de Honras Mirandesa, disse que cada peça pode chegar facilmente aos mil euros, dado o trabalho que leva na sua confeção e o preço do pardo.
De acordo com o historiador transmontano António Rodrigues Mourinho, a origem da capa remonta aos séculos IX ou X, portanto medieval, tendo origem na “capa de chiba” que, traduzido do espanhol para português, quer dizer “capa de cabra”.
Segundo o historiador, apesar de se pensar ser de origem medieval, só há dois documentos conhecidos até agora que referem este tipo de capa e são datados de 1819 e 1828.
Lusa