Um ano depois do incêndio no lar da Misericórdia de Mirandela, que provocou a morte a sete idosos, a infraestrutura, reaberta desde maio, está hoje com lotação esgotada e a instituição prevê fazer ainda mais obras de melhoramento.

O lar Bom Samaritano esteve encerrado para obras, de agosto de 2025 a maio deste ano, que foram feitas para tornar a infraestrutura novamente apta para acolher os idosos que estavam alojados noutros lares do concelho de Mirandela, distrito de Bragança.

Em 16 de agosto do ano passado, um incêndio deflagrou durante a madrugada no lar Bom Samaritano, alegadamente devido a um curto-circuito num colchão anti-escaras, provocando a morte imediata a seis utentes, sendo que seis dias depois morreu uma outra idosa que se encontrava internada num hospital. Mais de 20 pessoas ficaram feridas devido à inalação de fumo.

Aquando do incêndio, que ficou confinado ao quarto onde deflagrou, mas todo o edifício ficou com fumo, o lar tinha 89 utentes.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela, João Matias, em declarações à Lusa, explicou que durante estes meses de espera vários utentes foram morrendo e, por isso, quando o lar reabriu, foi possível acolher novos idosos, estando atualmente com “a lotação máxima”, ultrapassando os 80 utentes.

Comparativamente às condições da infraestrutura antes do incêndio, as obras, no valor de mais de 300 mil euros, permitiram melhorar o edifício, mas também equipamentos, nomeadamente com a colocação de portas corta-fogo nos quartos, substituição do sistema de deteção de incêndios e ainda o sistema de chamada de enfermeiro junto às camas.

O lar tem também, desde julho, o parecer positivo da Autoridade Nacional da Proteção Civil, referente às medidas de autoproteção em caso de incêndio.

“[A infraestrutura] está completamente apta, reabilitada. Não há dúvida nenhuma que há sempre melhorias que podemos fazer e estamos a tentar fazê-las”, vincou João Matias.

O provedor adiantou que está também a ser feita a vedação do recinto, tendo ainda intenções de fazer obras no telhado e a colocação de persianas.

“Estamos também a fazer uma melhoria no que diz respeito a quartos que têm uma grande incidência solar e que era difícil controlar as temperaturas, e estamos a programar uma intervenção ao nível do telhado, porque também detetámos que temos algumas infiltrações”, esclareceu.

As obras serão suportadas pela instituição, segundo João Matias, que para já disse saber apenas o custo da vedação, que ronda os 40 mil euros.

Na sequência do incêndio em 2025, o Ministério Público abriu um inquérito para averiguação do caso.

Contactado pela Lusa sobe a evolução do processo, fonte da Procuradoria-Geral da República referiu que “a investigação prossegue, sujeita a segredo de justiça”.



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