O município de Miranda do Douro defendeu que a entrada em funcionamento da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa (EMPLM) é um marco histórico para este idioma, que acontece 27 anos após o seu reconhecimento.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da Câmara, Helena Barril, disse que "é preciso assinalar que é um dia histórico e feliz para a língua e cultura mirandesa, para o território da Terra de Miranda, com o início de funções da EMPLM".

"Mais do que estarmos a carpir mágoas daquilo que aconteceu até aqui, ao longo deste processo, o importante é que temos um organismo de Estado, em Miranda do Douro, para a salvaguarda e divulgação da língua mirandesa”, vincou a autarca deste concelho do distrito de Bragança, em declarações à agência Lusa.

De acordo com Helena Barril, a partir do momento em que a Estrutura de Missão, está no terreno, "o município está com muita esperança durante os próximos quatro anos", tempo de vigência da EMPLM, "no respeita ao trabalho da promoção do mirandês".

“Todo este trabalho terá o apoio do município, do Conselho Consultivo da EMPLM, para o cumprimento dos desígnios a que se propuseram". "Vamos assim honrar os nossos antepassados que nos deixaram esta língua da forma como ela é, ou seja da tradição oral que agora já figura em traduções de obras literárias importantes”.

Helena Barril alertou para a globalização a que o mirandês poderá estar exposto e as influencias “menos positivas” que pode ter no idioma, com o aumento da exposição.

A Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM), organismo que leva já 25 anos de trabalho no terreno em defesa dos direitos linguísticos do mirandês, também já se mostrou disponível para trabalhar com Estrutura de Missão.

O novo presidente desta estrutura, Orlando Teixeira, avançou à Lusa que há trabalho feito em prol da língua mirandesa, pelo que “tem de haver uma união de esforços: somos poucos, [mas] podemos levar a língua mirandesa aos quatro cantos do mundo”.

A ALCM vai continuar com as recolhas da tradição oral, a constituição de uma Casa da Língua Mirandesa, juntado tudo aquilo que que já reuniu sobre a “lhégua”, desde documentos a recolhas antigas.

“Só com estes dois projetos já temos trabalho para cerca de dois anos, e apoiaremos a Estrutura de Missão”, vincou Orlando Teixeira.

 O mirandês foi reconhecido oficialmente há 27 anos, através da lei 7/99, que fez desta língua a segunda oficial no país. Aprovada em 17 de setembro de 1998, esta lei entrou em vigor em 29 de janeiro de 1999, com a publicação em Diário da República.

Agora, 27 anos depois, entra em funcionamento a Estrutura de Missão para a Promoção da Língua, numa resposta ao anseio antigo de falantes e estudiosos deste idioma.

Um estudo efetuado pela Universidade de Vigo, em 2023, alertava para a possibilidade de extinção da língua mirandesa, em redor do ano 2050.



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