O colégio de comissários para a Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa (EMPLM) tomou hoje posse com olhos postos na formação de professores e na criação de materiais pedagógicos oficiais para o ensino do idioma.

Em declarações à agência Lusa, o comissário Alfredo Cameirão, que hoje tomou posse, disse que já há um plano de atividades a desenvolver no imediato, relacionadas com o futuro do ensino deste idioma ancestral.

“Vamos arrancar já com um plano de trabalho, arranjado com ideias nossas e do Conselho Consultivo. Aqui, destaco a formação de professores para lecionar em língua mirandesa e o próprio estatuto dos profissionais dos docentes de mirandês, para lhes conferir estabilidade” explicou.

O comissário da EMPLM, nomeado pelo Governo, acrescentou ainda que é importante dignificar o ensino da língua mirandesa nas escolas de Miranda do Douro, que “têm feito um trabalho formidável, mas há que reforçar a presença da 'léngua'” no ensino.

“A criação de conteúdos educativos, manuais escolares, materiais audiovisuais, a criação de portais digitais, onde se possa encontrar informação sobre a língua mirandesa ou um centro de recursos para a segunda língua oficial em Portugal”, indicou o recém-nomeado Comissário.

Segundo Alfredo Cameirão, estas linhas orientadoras propostas pela EMPLM têm como objetivo chegar cada vez mais perto dos jovens mirandeses e divulgar a língua materna.

“O mirandês é uma língua da tradição oral, agora é da tradição global. Não queremos que para o mirandês haja entraves físicos ou mentais. O mirandês pode ajudar a região para que os seus habitantes sejam do mundo, sem perder as suas raízes”, vincou.

Para o comissário, esta estrutura assenta num conceito agregador já que o Conselho Consultivo é composto por representantes de diferentes intuições académicas e culturais que sempre demonstraram interesse na língua mirandesa.

“Esta estrutura está de portas abertas para todos aqueles que queiram ajudar a meter mãos ao trabalho”, sublinhou.

O secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, presente na tomada de posse, disse que a sede da EMPLM, em Miranda do Douro, na antiga Casa do Magistrados, foi cedida por um período de quatro anos, com hipótese de prorrogação do prazo.

“Demos instruções para que ainda hoje fique pronto o Auto de Cedência e Aceitação ao comissariado que entrou em funções. Isto não é detalhe logístico. É uma afirmação política inequívoca: o centro desta política pública está onde a língua está, no território”, vincou Alberto Santos, sublinhando a localização em Miranda do Douro.

O governante destacou ainda o impacto que esta Estruturada Missão pode ter no território, nas áreas da leitura, da musica, da educação e, sobretudo, do ensino da língua.

Além do comissário e dos dois subcomissários, a EMPLM tem um Conselho Consultivo composto por representantes do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, da Direção-Geral da Educação, do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, da Câmara Municipal de Miranda do Douro, da ALCM, das faculdades de Letras das universidades de Coimbra e do Porto, do Instituto Politécnico de Bragança, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro, entre outros organismo locais.

O mirandês foi reconhecido oficialmente há 27 anos, através da lei 7/99, que fez desta língua a segunda oficial no país. Aprovada em 17 de setembro de 1998, esta lei entrou em vigor em 29 de janeiro de 1999, com a publicação em Diário da República.

Um estudo efetuado pela Universidade de Vigo, em 2023, alertava para a possibilidade de extinção da língua mirandesa, em redor do ano 2050.



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