Teresa A. Ferreira

Teresa A. Ferreira

Celebrando Nuno Nozelos

Pouco ou nada me agrada celebrar, no dia da sua morte, quem já partiu. Prefiro celebrar o dia em que nasceu, pois sem nascimento não teríamos o prazer de desfrutar da sua vida tal como se apresentou. A morte é destino ao qual ninguém escapa, exceto os artistas - esses serão lembrados além da morte. O poeta é um artista - dos mais altos, meus caros -, que pinta com palavras as mais belas poesias. 

Hoje, quero celebrar o nascimento de Nuno Nozelos (Fradizela 15-11-1931; Torre de Dona Chama 18-07-2017) natural do município de Mirandela.

Já tive oportunidade de escrever sobre ele, de o homenagear num programa em direto, mas nunca é demais lembrar quem foi grande na poesia e no conto.

Quero partilhar convosco um poema, seu, para que conheçais o homem que sempre foi.

PRETENSO AUTO-RETRATO

Meu semblante revela o ar agreste
do exil torrão em que aportei à vida
- uma lura ignorada do Nordeste,
de que, um dia, parti, de alma dorida.

Trouxe comigo, entanto, o eco dos montes,
a força inabalável dos fraguedos,
o espelhar dos rios e das fontes
e da natura-mãe os seus segredos.

Conservo a raça de aldeão nortenho,
sem negar a matriz de que provenho
e o duro caminhar por via recta.

E, apesar de moldado em barro bruto,
eu ostento um carácter impoluto,
que trai minha lhaneza de poeta.

Nuno Nozelos in: Delações Poéticas, pág. 29



© Teresa do Amparo Ferreira, 15-11-2023


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