Terra queimada, árvores reduzidas a cinzas, campos agrícolas destruídos e casas marcadas pela passagem das chamas. É este o cenário deixado pelo grande incêndio que começou na tarde de terça-feira, 28 de julho, na zona de Cabeço, na freguesia de Ervões, concelho de Valpaços, e que durante vários dias avançou pelo território transmontano.

Impulsionado por condições difíceis de combate, o fogo ganhou dimensão e ultrapassou os limites do concelho de Valpaços, propagando-se aos concelhos de Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança. O incêndio chegou a mobilizar perto de mil operacionais e centenas de meios terrestres, além do apoio aéreo.

O balanço da destruição é pesado. Segundo uma estimativa, o incêndio atingiu cerca de 16 mil hectares, aproximadamente 10 mil dos quais no concelho de Valpaços. Pelo caminho arderam áreas de floresta e mato, mas também terrenos agrícolas, incluindo vinhas e olivais, atingindo uma das principais fontes de rendimento das populações desta região.

As chamas chegaram também às zonas habitadas. O balanço provisório aponta para pelo menos 21 casas atingidas, oito das quais de primeira ou segunda habitação. Foram ainda registados danos em pelo menos duas indústrias e num armazém agrícola.

Após vários dias de intenso combate às chamas, o incêndio acabou por ser dado por controlado.

Agora, depois das chamas, fica o silêncio e começa a missão mais demorada da tragédia: avaliar o que se perdeu e reconstruir.

Imagem: Carlos Espírito Santo e César Gomes


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