Eu, que tenho 77 anos de Oriente, ainda o conheci e troquei correspondência com ele. Chamava-se Álvaro Martins Coroado, partiu para Macau nos finais do século XIX. Ainda adolescente ingressou no Seminário de S. José, tendo por companheiro D. José da Costa Nunes, que morreu cardeal aos 96 anos.

Foram ambos directores do Asilo dos Órfãos de Macau. O padre Coroado foi transferido para Malaca, onde morreu às mãos dos japoneses, durante a II Guerra Mundial, sem nunca ter visitado a sua terra Natal.

Que fez ele em Malaca?

Fundou uma comunidade de 1200 pessoas, sem pátria, sem língua, sem trabalho, sem nada.

Com o padre Coroado tudo mudou. Ele e o padre François, francês, pediram ao governador inglês um terreno e meios de vida. Foi-lhes dada uma porção de terra, que ainda hoje se chama Portuguese Setlement (Bairro Português), e redes e barcos para a pesca. Com esses instrumentos de trabalho, conseguiram os meios para viverem.

As religiosas Canossianas abriram lá um escola e os alunos que terminavam o curso elementar iam fazer os estudos secundários para Singapura, acabando depois por ali encontrarem trabalho e elevando assim o seu nível de conhecimentos, permitindo-lhe enviarem dinheiro para os seus familiares.

Foi assim que o padre Coroado deu àqueles pobres o orgulho de viver e ser gente.



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