O socialista Vítor Correia, atual presidente da Câmara de Mirandela, candidata-se pela primeira vez ao cargo e tem como "primeiro foco" resolver problemas no abastecimento de água e saneamento, adiantou hoje à Lusa o próprio.
Vítor Correia é presidente desde maio, quando substituiu Júlia Rodrigues, eleita deputada na Assembleia da República pelo PS.
Embora admita que não se pode "desligar" do passado recente, dando "continuidade" a projetos já lançados, Vítor Correia vincou que tem "novas estratégias, em termos de priorização de alguns aspetos" que ao longo destes mandatos tem vindo a verificar.
No que toca ao abastecimento de água, que é deficitário em algumas zonas e que causa constrangimentos principalmente no verão, o candidato do PS disse ter um plano já elaborado, que visa a substituição de condutas, de depósitos e ainda uma monitorização eletrónica para os caudais da água.
Também em relação ao saneamento, que ainda não existe em algumas localidades, como Lamas de Orelhão, Vítor Correia realçou que é preciso "atuar" para "resolver este problema".
Um trabalho que admite que não durará "menos de cinco anos" e que vai começar por ser feito na cidade, onde as condutas são já muito antigas e há bairros com várias ruturas, o que provoca constrangimentos no abastecimento de água.
O Plano de Mobilidade do Tua, uma contrapartida da construção da barragem do Tua, é outra das suas preocupações, isto porque continua sem ser implementado e o aproveitamento hidroelétrico já está a produzir eletricidade desde 2017. "Contrapartida teve zero", criticou o autarca candidato, acrescentando que "é uma peça grande para o território, é uma promessa adiada desde 2016".
Cinco municípios - Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Alijó e Murça - estão assim à espera que o plano avance, mas falta a "declaração de impacto ambiental", que está a emperrar o processo. "Não vale a pena andarmos atrás de culpados, o que interessa é por o plano de mobilidade a funcionar. Não vamos poder deixar mais dias para tentar ultrapassar e desbloquear este problema", afirmou, explicando que o município, de forma individual, irá fazer pressão junto das entidades competentes.
Quanto ao Complexo Agroindustrial do Cachão, que está em grande parte abandonado desde 1992, quando foi declarado falido, Vítor Correia explicou que os municípios de Mirandela e Vila Flor precisam de "sanear financeiramente" para o poderem reabilitar.
O candidato adiantou que querem fazer ali um polo de inovação e investigação ligado à atividade agrícola. Esse projeto já foi anunciado em 2020, mas até agora não está concretizado.
Além de resolver os problemas já identificados, o candidato do PS quer apostar no turismo, acreditando que pode atrair pessoas para o concelho, tanto visitantes como trabalhadores. Por isso, promete recuperar as praias fluviais e criar maior atividade, que "irá promover também o comércio local".
O atual executivo municipal é composto por sete elementos, presidente da câmara e três vereadores com pelouro do PS e três vereadores sem pelouro do PSD.
Nas autárquicas de 12 de outubro há mais seis candidatos a este município do distrito de Bragança: Paulo Pinto (PSD), Carlos Cunha (CDU), Ângela Silva (IL), Luís Saraiva (Chega), Duarte Travanca (movimento independente Duarte Travanca: Amar Mirandela) e Luísa Torres (movimento independente Move Mirandela).
Lusa