O ministro da Defesa, Nuno Melo, condecorou hoje o tenente-general Alípio Tomé Pinto pela "elevada competência" na presidência da comissão criada pelo Governo para assinalar os 50 anos do 25 de novembro de 1975.

Em comunicado, o Ministério da Defesa Nacional adianta que Nuno Melo condecorou o tenente-general Alípio Tomé Pinto com a medalha da Defesa Nacional, 1ª classe, "pela elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais evidenciadas entre novembro de 2025 e maio de 2026, no exercício das funções de Presidente da Comissão para as Comemorações do 50º Aniversário do 25 de novembro de 1975".

De acordo com a nota, a cerimónia decorreu hoje no salão nobre do Ministério da Defesa Nacional, em Lisboa.

O ministério tutelado por Nuno Melo destaca o tenente-general como uma "figura de referência na história contemporânea nacional, com papel decisivo nos acontecimentos de 25 de novembro de 1975", afirmando que o militar "contribuiu então de forma determinante para a consolidação da democracia em Portugal, circunstância que conferiu especial significado e autoridade ao exercício das funções que agora lhe foram confiadas".

"Não obstante a sua situação de reforma desde 2001, revelou uma notável capacidade de liderança, energia e sentido de missão, assegurando a coordenação de todas as atividades associadas à efeméride", é salientado.

O ministério destaca ainda que o presidente da comissão "promoveu uma estreita articulação com a Estrutura de Missão para as Comemorações do Quinquagésimo Aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974, garantindo a coerência e complementaridade das iniciativas evocativas".

No desempenho deste cargo, continua a nota, o tenente-general promoveu "um programa comemorativo coeso, digno e amplamente participado, que soube honrar a memória histórica do 25 de novembro de 1975 e reforçar os valores democráticos que lhe estão associados".

"Demonstrou igualmente rigor na governação e acompanhamento da execução financeira de todo um programa comemorativo coeso e abrangente", lê-se na nota.

O programa incluiu uma parada militar na Praça do Comércio, em Lisboa, organizada a 25 de novembro do ano passado. No mesmo dia foi também divulgado um documentário que reuniu dez entrevistas a vários atores do 25 de Novembro, recorrendo a imagens de arquivo da RTP.

De acordo com o ministério, foram organizadas várias conferências pelo país, lançados dois livros sobre este período ("25 de Novembro de 1975: Testemunhos do Povo Fardado"; e "25 de Novembro de 1975: 50 anos depois"), um podcast intitulado "Portugal em Revista: De Abril a Novembro", além de moedas comemorativas.

Alípio Tomé Pinto nasceu no concelho da Torre de Moncorvo, distrito de Bragança, em 1936, e é licenciado em Ciências Militares, tendo seguido a carreira no Exército.

Comandou a Guarda Nacional Republicana (GNR) entre agosto de 1982 e janeiro de 1988, e foi vice-Chefe do Estado-Maior do Exército até março de 1991.

Em junho de 1991 foi nomeado representante de Portugal na Comissão Conjunta para Formação das Forças Armadas Angolanas (no âmbito do Acordo de Bicesse) e em maio de 1993 foi nomeado juiz vogal no Supremo Tribunal Militar.

Os acontecimentos do 25 de Novembro, em que forças militares antagónicas se defrontaram no terreno e venceu a chamada ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA), marcaram o fim do chamado Período Revolucionário em Curso (PREC).  



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