A seleção da mina de tungsténio da Borralha, prevista para Montalegre, como projeto estratégico da União Europeia é "uma conquista" e uma oportunidade de "grande importância" para Portugal, afirmou hoje à agência Lusa a empresa Minerália.
“Somos o único projeto português incluído nesta nova seleção de 46 projetos, o que reforça a relevância dos nossos recursos minerais para a segurança do abastecimento europeu”, afirmou hoje à agência Lusa a empresa Minerália - Minas, Geotecnia e Construções, que quer explorar tungsténio (volfrâmio) na Borralha, no concelho de Montalegre, distrito de Vila Real.
Este Projeto da Mina da Borralha foi selecionado pela Comissão Europeia como um dos 46 novos projetos estratégicos para reforçar o abastecimento da União Europeia (UE) em matérias-primas críticas, anunciou hoje a instituição.
“Para reforçar as cadeias de abastecimento da UE e diversificar as fontes de matérias-primas críticas, a Comissão Europeia anunciou hoje a seleção de 46 novos projetos estratégicos em 16 Estados-membros”, divulgou o executivo comunitário.
A mina da Borralha obteve em janeiro um parecer favorável condicionado, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e a concessão está a cargo da Minerália.
A empresa quer explorar tungsténio e propõe uma exploração subterrânea, numa área mineira que esteve ativa até à década de 80 do século passado.
“O tungsténio é essencial para ferramentas industriais, componentes aeroespaciais, semicondutores e aplicações de defesa. Garantir fontes de abastecimento seguras e diversificadas é, por isso, uma questão de competitividade industrial, mas também de segurança económica e estratégica para a Europa e para os países da NATO”, realçou a Minéralia.
A empresa considerou que “Portugal pode assumir um papel mais relevante como fornecedor de uma matéria-prima de que os seus parceiros europeus e transatlânticos necessitam”.
“A nossa tradição mineira, o conhecimento técnico e os projetos em desenvolvimento dão-nos uma base concreta para contribuir para cadeias de abastecimento mais resilientes, incluindo as que sustentam as indústrias de defesa dos países aliados”, acrescentou.
A empresa disse que a sua “ambição passa também por criar mais valor em Portugal”.
“Estamos a estudar a possibilidade de desenvolver capacidade de refinação e transformação de tungsténio no país, articulada com os projetos da Borralha e de Vila Verde. Esta visão poderá permitir atrair indústria e tecnologia, criar emprego qualificado e gerar exportações de maior valor acrescentado, com benefícios duradouros para o interior”, realçou.
Sublinhando que tem a “oportunidade de transformar uma vantagem geológica numa vantagem industrial e estratégica para Portugal”.
“O reconhecimento europeu da Borralha reforça essa oportunidade e deve servir de impulso para uma articulação próxima entre empresas, instituições, comunidade científica e parceiros industriais”, salientou.
Neste momento, explicou que prosseguem os procedimentos de licenciamento e que se pretende que “a importância estratégica da Borralha se traduza em desenvolvimento responsável e em benefícios concretos para o território e para o país”.
Ao nível da UE, os 16 projetos selecionados estão entre 102 candidaturas recebidas e vão permitir “reforçar a competitividade, aumentar a resiliência e reduzir a dependência de um único fornecedor”, de acordo com Bruxelas.
Os projetos escolhidos abrangem 15 das 17 matérias-primas estratégicas identificadas no Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, incluindo o lítio, o níquel, o cobalto, o manganês, a grafite, o magnésio, o tungsténio e as terras raras.
Na primeira lista de projetos estratégicos ao abrigo do Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, anunciada em 25 de março de 2025, Portugal teve quatro projetos selecionados, três ligados ao lítio e um ao cobre.
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Lusa