O lar da Misericórdia de Mirandela, que ardeu em agosto do ano passado, já está requalificado, faltando apenas a avaliação da Proteção Civil das medidas de autoproteção e a respetiva inspeção para reabrir, adiantou hoje o provedor.
“A obra está concluída há quase 15 dias, no entanto, estamos dependentes da Proteção Civil das medidas de autoproteção, porque a Segurança Social, para nos autorizar, quer que cumpramos essa requisito (…) A Proteção Civil tem de avaliar as medidas de autoproteção que nós apresentámos, ver se estão corretas, se precisamos de fazer ainda algum ajuste, e tem que depois vir fazer uma inspeção ao local para ver se está tudo conforme”, explicou à Lusa o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela, João Matias.
O lar Bom Samaritano ardeu em agosto de 2025, alegadamente devido a um curto-circuito num colchão anti-escaras, provocando a morte a sete utentes.
O incêndio ficou confinado apenas a um piso, mas, devido à gravidade, a infraestrutura teve de ser requalificada e novo material teve de ser adquirido.
Em novembro, o provedor tinha adiantado à Lusa que as obras estariam concluídas nas semanas seguintes e o lar reabriria no início deste ano, mas as burocracias e os imprevistos fizeram atrasar a obra.
“Foram previstas umas portas especiais, de corta-fogo para os quartos, uma vez que estávamos a substituí-las e essas portas foram fabricadas lá em baixo, no Centro do país, e com este acidente [tempestade] tudo se complicou”, referiu.
Falta apenas a vistoria da Proteção Civil para a infraestrutura reabrir, embora o responsável da instituição queira ainda instalar uma vedação exterior, para segurança dos utentes.
De acordo com João Matias, a requalificação do lar teve um custo superior a 200 mil euros, totalmente suportado pela instituição. Porém, o provedor acredita que é possível obter algum financiamento através dos seguros, que estão atrasados.
“Dado que os seguros e as indemnizações não fazem nada sem a Polícia Judiciária e o Ministério Público. Eles estão em processo de averiguações e ainda não disseram nada (…) ainda não há novidades sobre o processo”, garantiu.
Aquando do incêndio, o lar albergada 89 utentes. Sete morreram e os restantes foram instalados noutras residências da instituição.
A Misericórdia de Mirandela vai ainda abrir consulta/concurso público para a criação de uma rampa para o lar Santa Ana, que custará “quatro ou cinco mil euros”.
Esta rampa é obrigatória para saídas de emergência e sem ela o lar não tem “uma licença especial de utilização” da Câmara Municipal de Mirandela.
“Como o lar tem dois pisos, um piso tem acesso fácil ao exterior, mas outro tem escadas e elevador, e isso implica que, numa situação de emergência, fica um bocadinho complicada a saída”, esclareceu.
O provedor João Matias garante que esta situação “não tem implicações nenhumas” no funcionamento do lar, que acolhe cerca de 40 utentes.
Lusa