A falta de informação, a baixa escolaridade e o não domínio do idioma do país de destino são três dificuldades sentidas pelos emigrantes portugueses que potenciam a sua «exploração».

O alerta é deixado documento conclusivo do encontro de reflexão sobre emigração portuguesa na Europa, realizado entre esta quarta e quinta-feira, em Alfragide (Lisboa), reunindo responsáveis da Igreja Católica.

Os participantes referem que “o desconhecimento leva à exploração por parte de redes organizadas”, sendo estas promovidas “por portugueses que recrutam outros portugueses para trabalho sazonal sem oferecer quaisquer condições de vida aos trabalhadores”.

Estes problemas têm levado “ao aumento”, nos últimos meses, do registo “de casos de pobreza entre os portugueses que vivem em países europeus”.

“Luxemburgo, Suíça e Reino Unido registam alguns casos de sem-abrigo ou de recurso aos abrigos sociais” e no caso particular do Luxemburgo “foram relatados casos de emigrantes a viver em carros ou em contentores, no local de trabalho”.

Apesar deste lado dramático, verifica-se que “as comunidades paroquiais e associações de emigrantes continuam a ser os elos de ligação e de confiança”.

Na linhas das propostas, os participantes solicitam às dioceses locais “a cedência de espaços físicos que possam ser utilizados para o atendimento direto a emigrantes” e que se criem “escolas para a aprendizagem da língua do país de acolhimento”, sublinham as conclusões.

No âmbito do atual contexto económico e social, a Obra Católica Portuguesa das Migrações e a Cáritas Portuguesa promoveram o encontro entre os principais intervenientes junto das comunidades portuguesas emigrantes na Europa.

Um encontro que teve como objetivo “colocar em comum a realidade vivida pelas comunidades emigrantes e abrir vias de diálogo e de coordenação pela conciliação de esforços e recursos no sentido de melhorar as respostas de apoio a todos os que se vêm na necessidade de sair do seu país”.

Estiveram presentes neste encontro os coordenadores da Pastoral de Língua Portuguesa e os Delegados das Cáritas em alguns dos que são hoje os principais países de destinos dos portugueses na Europa.

“Os emigrantes sente-se ressentidos com o país de origem e evitam o regresso principalmente quando não atingiram os objetivos pretendidos”, revela o documento.

O aumento do desemprego em Portugal é, atualmente, “a principal motivação para a emigração”, lê-se.



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Célia Ramos

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