Os candidatos à Câmara de Torre de Moncorvo nas autárquicas de outubro defendem um novo modelo de exploração mineira neste concelho, entregue a empresas credíveis, apelando ao Governo para que interceda na seleção.
As minas de ferro de Torre de Moncorvo foram a maior empregadora da região na década de 1950, até a exploração de minério ser suspensa em 1983. Retomada em março de 2020, os trabalhos de extração de agregado de ferro estão novamente parados, tendo o Governo anulado este ano o contrato de concessão da exploração entregue à Aethel Mining por falta de atividade, admitindo não haver para já outros interessados.
PSD, PS, CDS-PP e CDU prometem manter o assunto na ordem do dia, por considerarem que a exploração mineira pode ser um ativo económico de relevo, não só para o concelho de Torre de Moncorvo, mas para o país. A Lusa tentou várias vezes uma posição do Chega, um partido também candidato às eleições autárquicas em Torre de Moncorvo, mas não obteve resposta.
A candidatura do PSD, liderada por José Meneses, defende que a concessão mineira de exploração de agregado de ferro no concelho terá de sofrer alterações no seu formato, porque o atual em nada beneficia a economia local.
“O que tivemos foi uma britadeira de pedra e não a exploração mineira neste concelho, sem resultados económicos para o concelho e para a região”, vincou, acrescentando que, “se, eventualmente, a concessão mineira de futuro for nos mesmos moldes da atual, não vai trazer muito valor acrescentado ao território, não vai criar postos de trabalho".
O candidato do PSD acrescentou ainda que o Governo tem de olhar para a exploração mineira em Torre de Moncorvo com outros olhos.
Já a candidatura do Partido Socialista (PS), encabeçada por Adriano Menino, disse que importa agora olhar para o futuro e trabalhar no sentido de aproveitar esta "riqueza única do concelho" que é a maior jazida de ferro da Europa.
“Defendemos ainda que a concessão deva ser feita por concurso público internacional e que um dos critérios de adjudicação seja a experiência internacional e o prestígio da empresa neste tipo de exploração”, indicou a candidatura socialista, acrescentando que defendem a exploração mineira, "mas não a qualquer preço”.
A candidatura da CDU liderada Celso Dengucho disse que a concessão da exploração de depósitos minerais de ferro e minerais associados em Torre de Moncorvo à empresa privada Aethel Mining “foi apenas um engodo, não cumprindo as promessas feitas aos Moncorvenses, pelo que é urgente a retoma da sua atividade, e apenas uma empresa pública poderá garantir a salvaguarda dos interesses das populações, do ambiente e do país”.
“Esta jazida é uma das maiores reservas de minérios de ferro da Europa e, após muitas décadas de ausência de qualquer aproveitamento e valorização, o Estado português concedeu uma licença para exploração económica dos depósitos minerais de Torre de Moncorvo à empresa Aethel Mining, em 2019, sem a exigência prévia”, vincou a candidatura da CDU.
Para o candidato do CDS-PP, Luis Guimarães, “as minas só serão verdadeiramente rentáveis se o forem também para o concelho de Torre de Moncorvo em geral e para a União de Freguesias de Felgar e Souto da Velha em particular”, disse.
“É urgente que a Câmara de Torre de Moncorvo se inteire junto da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) relativamente às intenções de nova concessão e acautele, de facto, os interesses do município e das suas gentes", vincou.
O candidato do CDS-PP acrescentou ainda que, “se houver nova concessão, defenderá uma exploração mineira que garanta retorno real para a terra, através de postos de trabalho, dinamização da economia local, investimento em infraestruturas e valorização da qualidade de vida dos munícipes”.
Em 13 de março de 2020, depois de 38 anos de abandono, máquinas e operários regressaram às minas e começaram a britar a pedra no sítio de Mua para o transformar em agregado de ferro, uma matéria-prima procurada para vários fins, como a construção de quebra-mares destinados ao ordenamento de partes da orla costeira portuguesa.
A concessionária da mina, a Aethel Mining, anunciava então um investimento previsto de 550 milhões de euros, para 60 anos.
Entretanto os trabalhos pararam e, este ano, o Governo acabou por anular o contrato de concessão da exploração de depósitos de minerais de ferros em Torre de Moncorvo, atribuído à Aethel Mining Portugal. Em agosto, e após ter sido retirada a licença por falta de atividade, o Governo admitiu que ainda não havia interessados na concessão de exploração mineira em Torre de Moncorvo, querendo de futuro um projeto sólido.
As minas de ferro de Torre de Moncorvo chegaram a recrutar 1.500 mineiros, até a exploração de minério ser suspensa em 1983, com a falência da Ferrominas.
Foto: AP
Lusa