A associação ambiental Palombar, com sede em Vimioso, elaborou o primeiro guia de campo dos cágados em Portugal que alia conhecimento científico e estudo de nove espécies de répteis, algumas em vias de extinção, foi hoje anunciado.
Em declarações à agência Lusa, o biólogo Pedro Alves disse que o Guia de Campo dos Cágados de Portugal é destinado a quem queira saber uma pouco sobre as nove espécies de anfíbios pertencentes ao grupo dos répteis que habitam o território nacional em rios, ribeiras, charcas, entre outros locais onde haja água, em permanência ou temporariamente.
“Em Portugal há nove espécies de cágados, sendo que sete são exóticas introduzidas pelo homem nos ecossistemas e duas nativas”, quantificou o biólogo.
Pedro Alves disse que, no caso das espécies exóticas ou inversoras, vão competir com as duas espécies autóctones existentes em território nacional, como cágado-de-carapaça-estriada ('Emys orbicularis') e o cágado-mediterrânico ('Mauremys leprosa'), acrescentando que a existência de cágados é muito anterior à espécie humana.
“Estes cágados exóticos vão disputar territórios com as espécies para termorregulação, já que precisam de sol para se aquecer, e por alimento. Por serem espécies mais possantes têm a capacidade de expulsar os nossos dos seus territórios, o que a leva a sofrer com esta situação”, indicou.
O biólogo apelou para que as espécies invasoras não sejam ser retiradas dos seus ecossistemas e, caso aconteça, só pela via das autoridades competentes, como a GNR através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) ou do Instituto da Conservação DA Natureza e das Florestas (ICNF).
“Devemos, sim, alertar estas autoridades para proceder a recolhas destes animais quando identificados”, vincou o especialista.
Segundos os biólogos da Palombar, “este guia inédito é uma ferramenta multifacetada fundamental que irá não só guiar e informar, mas também inspirar todos os que estudam e admiram estes seres únicos com uma história milenar".
“Este guia vai permitir a qualquer pessoa identificar as nove espécies de cágados existentes no ambiente aquático em Portugal e depois ajudar no seu controlo ou perceber se é um espécie nativa ou exótica invasora que tem de ser retirada”, especificou Pedro Alves.
Sendo estes animais anfíbios, precisam de água de caráter permanente ou temporário, sendo mais fácil encontrá-los nas zonas do centro e sul do país, como é o caso do cágado mediterrânico. Já o cágado-de-carapaça-estriada encontra-se mais a norte, nas regiões do Minho, Nordeste Transmontano ou no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
“Apesar de tudo, estão em vias de extinção, porque já se observam com alguma raridade”, explicaram os biólogos da Palombar.
Este guia de campo foi produzido no âmbito do projeto “Water Bridges - Conservação do cágado-de-carapaça-estriada”.
"A edição deste guia surge como resultado de um projeto de educação ambiental que nos aproximou de forma muito especial da comunidade sénior do Parque Natural do Douro Internacional, permitindo a sensibilização ativa e a devolução de indivíduos de espécies autóctones ao seu habitat natural”, indicou a Palombar,
O guia inclui igualmente uma secção com a primeira chave dicotómica criada para a identificação dos cágados de Portugal, que ajuda a identificar de forma simples e prática, quer as espécies de cágados nativas do território nacional, quer as introduzidas.
O Guia de Campo dos Cágados de Portugal foi elaborado pelos biólogos da Palombar Pedro Alves, Leonor de Carvalho e Sandra Fernandes, que já integraram ou integraram diversos projetos de conservação da fauna silvestre, incluindo de cágados nativos.
O trabalho de investigação e elaboração do guia foi implementado em 2025/2026 e financiado pelo programa Erasmus + da União Europeia (UE).
Lusa