A aldeia de Fafião, em Montalegre, celebra em julho a convivência com o lobo ibérico através de um festival que transforma ruas e antigas cortes dos animais em galerias de arte e sensibiliza para a conservação da espécie protegida.
O Festival Aldeia de Lobos decorre entre 10 e 11 de julho, na aldeia de Fafião, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, norte do distrito de Vila Real, e é organizado pela Associação Vezeira.
“É um evento comunitário anual que visa promover a coexistência harmoniosa entre o homem e o lobo ibérico, valorizar o património cultural do Barroso e sensibilizar para a urgência da conservação da biodiversidade”, afirma hoje, em comunicado, a organização.
Este evento, que se realiza desde 2018, quer simbolizar “uma profunda mudança na relação entre a comunidade local e o grande predador, transformando uma antiga rivalidade numa jornada de coexistência, celebração e sensibilização ambiental”.
Nesta aldeia, as ruas e as antigas cortes de pedra, onde outrora pernoitavam os animais, transformam-se em galerias improvisadas para exposições e instalações artísticas e o fojo do lobo (armadilha para capturar este animal) em palco para concertos.
Haverá exposições de pintura (Corline Vengability, YSE, Fritz Simoneta, Ricardo Cardoso e Paulo Rocha), de fotografia (Nuno Moura, David Tiago Barbosa e Carlos Pontes) e de escultura (Celestino André, Ricardo Vicente e Javier Aguilera).
A videógrafa Catarina Pinho apresentará um trabalho sobre as vezeiras tradicionais da aldeia e a Junta de Freguesia de Cabril vai apresentar uma exposição de rua.
O festival tem como protagonista central o lobo ibérico e a sua relação com a comunidade local, mas tem também como objetivo a preservação das tradições locais, como a vezeira que se traduz no pastorear à vez pela serra, seja o gado bovino ou caprino.
No programa da edição 2026, a organização destaca ainda a recriação do “esconjuro do lobo”, um ritual pagão ancestral que se transforma em espetáculo e é protagonizado por Ulisses Pereira.
Haverá também música com Sebastião Antunes e Quadrilha, Unsafe Space Garden, Galandum Galandaina e Quadra e o DJ Rui Vargas.
O programa de ‘workshops’ focar-se-á na vida selvagem, com José Jambas (embaixador do Parque Natural do Douro Internacional) que falará sobre anilhagem em aves de grande porte como são exemplo os grifos, as águias-reais e os abutres-do-Egito, e Francisco Álvares e Patrícia Gil debaterão o tema “Lobo: Monitorizar para conservar”, enquanto a tertúlia decorrerá sob o mote “Territórios de Futuro, pastoreio extensivo na gestão do fogo e restauro ecológico”.
A organização realça ainda a parceria com o projeto europeu LIFE Wild Wolf, que reforça a mensagem de conservação da espécie e o “papel vital do lobo no ecossistema”.
O censo nacional do lobo (2019/2021) revelou que a área de presença desta espécie reduziu 20% em Portugal e que o número de alcateias detetadas decresceu 8% para as 58.
Na Peneda/Gerês houve um aumento de alcateias, das 16 para as 24, verificando-se uma diminuição nos restantes três núcleos populacionais, principalmente no Alvão/Padrela, onde o número de alcateias estimado desceu das 13 para as seis.
Lusa