Entre 700 a 800 pessoas deverão participar no Acampamento em Defesa do Barroso, entre quinta e segunda-feira, em Covas do Barroso, concelho de Boticas, evento que inclui momentos culturais e uma arruada contra a exploração de lítio.
“O objetivo é divulgar a nossa luta, trazer gente aqui ao Barroso, gente de todo lado, gente que está disposta a apoiar e a ajudar na nossa luta”, afirmou hoje à agência Lusa Nélson Gomes, da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB).
A sexta edição do acampamento, que acontece na aldeia do norte do distrito de Vila Real, decorre entre quinta-feira e domingo e, segundo Nélson Gomes, são esperados “entre 700 a 800 participantes nacionais e estrangeiros”.
As inscrições, salientou, tiveram de fechar mais cedo devido ao número de pessoas interessadas em participar no evento que visa divulgar a luta de quem se opõe à exploração de lítio neste território.
“Isto demonstra que estamos a fazer um bom trabalho e que a razão está do nosso lado e que não podemos continuar a sacrificar estas populações, estes territórios, quando vemos que, afinal, o país não vai ganhar nada com este projeto, com esta exploração”, afirmou.
A Savannah Resources prevê o início em 2027 da construção da mina do Barroso que obteve a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.
Em julho, a empresa anunciou ter concluído o Estudo Definitivo de Viabilidade da mina de lítio, que confirma uma vida útil inicial de 14 anos para o projeto e uma reserva provável de 20 milhões de toneladas de minério, prevendo uma produção de aproximadamente 2,56 milhões de toneladas de concentrado de espodumena, durante este período, matéria-prima suficiente para mais de sete milhões de baterias para veículos elétricos.
O projeto é contestado por moradores, autarcas e ambientalistas.
“Aquilo que se andou a prometer há muito, que a cadeia de valor ficava em Portugal, que íamos ter refinarias, que íamos ter fábricas de baterias e tudo mais, mas o que vemos são projetos, como o da refinaria de lítio de Estarreja, que foi abandonado porque perceberam que isto não é rentável e não faz sentido”, referiu o presidente da UDCB.
Recentemente, o jornal Expresso noticiou que o Grupo Melo decidiu não avançar com o investimento industrial numa refinaria de lítio em Estarreja, um projeto para o qual previa um investimento de 492 milhões de euros.
Durante os cinco dias, vão decorrer conversas em Covas do Barroso, sobre temas que vão desde as lutas no Barroso ou a nível internacional contra a exploração mineira, transição energética e mineração.
O programa incluiu ainda ‘workshops’, espetáculos, concertos, projeção de filmes, visitas de campo e passeios na natureza e, no sábado à tarde, como acontece todos os anos, vai decorrer uma arruada pelas ruas da aldeia contra a mina.
“Nós manifestamo-nos no sítio onde vivemos e acho que a manifestação deve ser aqui porque é aqui que as coisas estão a acontecer. É daqui que nós queremos passar a mensagem e é aqui que nós queremos que as pessoas venham ver e que venham perceber realmente o que é que está a acontecer”, sublinhou Nélson Gomes.
Lusa