Cinco abutres-pretos foram hoje devolvidos à natureza, após terem passado cerca de sete meses no centro de aclimatação de Douro Internacional, onde passaram por um período de adaptação ao novo habitat.
Em declarações à agência Lusa, o biólogo José Pereira, e também presidente da Associação Palombar, disse que a devolução dos abutres-negros à natureza acontece numa altura em que Vigilantes da Natureza de oito países europeus estão de visita ao Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), inseridos numa ação alargada de contacto com aves necrófagas de grande porte e partilha de conhecimentos científicos, neste território que é “um santuário” para estas espécies na Europa.
“Esta é uma iniciativa que reúne Vigilantes da Natureza de oito países da Europa, sendo este um dos locais mais importantes ao nível europeu, para a conservação da natureza e a troca de conhecimentos científicos e de vigilância entre os representantes das várias delegações. No PNDI podem encontrar-se todas as espécies de abutres e outras aves necrófagas, com exceção dos quebra-ossos”, sublinhou o biólogo.
Estas ações de troca de experiências entre os participantes europeus estão inseridas na ação europeia sobre monitorização da conservação e deteção de ameaças a abutres que vai decorrer até sexta-feira, em Freixo de Espada à Cinta e Miranda do Douro, no distrito de Bragança, dois concelhos integrados no PNDI, que é a segunda maior área protegida de Portugal.
A visita ao centro de aclimatação do abutre-preto foi o primeiro contacto com estas aves e com este projeto pioneiro que pretende aumentar esta espécie de aves que se encontra em perigo através do programa “LIFE Aegypius Return”, financiado pela União Europeia, e que tem diversos parceiros, como o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e as Organizações Não-Governamentais (ONG) Rwilding Portugal, Palombar e Quercus.
“Também é importante aproveitar o conhecimento que há em Portugal na área das grandes aves necrófagas, para assim haver troca de experiências e capacitação dos Vigilantes da Natureza, e verificar a legislação para estas espécies em vigor em cada um dos países participantes”, frisou José Pereira.
O abutre-preto é uma ave necrófaga com o estatuto “Criticamente em Perigo” em Portugal, sendo, igualmente, considerada de interesse comunitário e prioritário no contexto da Diretiva Aves. É a maior ave de rapina da Europa, podendo atingir os três metros de envergadura de asa.
Por entre a admiração causada por estas aves, que muitos viram de perto pela primeira vez, os Vigilantes da Natureza destes oito países ficaram sensibilizados com o trabalho desenvolvido no território do PNDI.
Para o represente da Federação Europeia dos Vigilantes da Natureza e Rangers, Borga Diaz, a Península Ibérica é o território mais importante para nidificação de aves necrófagas e dentro destas medidas entramos em contacto com várias organizações como a Palombar e o Instituto da Conservação da Natureza (ICNF) para promover várias ações de partilha de conhecimento durante quatro dias.
“Estes encontros servem para analisar o que foi bem-feito e o que correu menos bens no que respeita à conservação ambiental e das aves. Haverá um espaço de debates para partilha de experiências”, indicou.
Por seu lado, a diretora regional do Norte do ICNF disse que a conservação dos abutres não depende apenas do conhecimento científico.
“A conservação destas espécies depende também da capacidade de trabalhar em rede, de partilhar informação e experiências e de construir respostas coordenadas para desafios que não conhecem fronteiras administrativas nem nacionais”, destacou.
Segundo Sandra Sarmento, “é especialmente significativo reunir aqui representantes de organizações de conservação, autoridades públicas, guardas-parque, especialistas e parceiros de vários países, reforçando uma colaboração que é essencial para o sucesso das ações de conservação”.
“O programa dos próximos dias combina partilha de conhecimento, discussão técnica e contacto direto com o território. E é particularmente simbólico que esta iniciativa inclua a libertação de abutres-pretos, um momento que nos recorda que os esforços de conservação podem produzir resultados concretos”, destacou.
Ao longo de quatro dias pelo PNDI estão Vigilantes da Natureza de Portugal, Espanha, Israel, Itália, Suíça, Montenegro, Grécia e Chipre.
Lusa