O presidente da Câmara de Boticas disse hoje que a última noite foi de sobressalto e preocupação devido ao incêndio que se aproximou da aldeia de Nogueira, na freguesia de Ardãos e Bobadela, onde houve três fogos desde sábado.
O último dos três incêndios deflagrou às 14:18 de terça-feira, em Nogueira, e entrou em fase de resolução pelas 02:30 de hoje, depois de se ter aproximado desta aldeia do distrito de Vila Real.
“Foi uma noite de sobressalto porque o fogo parecia que não estava a constituir perigo, estava só a arder mato e floresta, no entanto mudaram os ventos, apareceu uma ventania muito forte que virou o fogo para o lado da aldeia e passou muito rente às casas e foi uma aflição”, descreveu à agência Lusa Guilherme Pires, presidente da Câmara de Boticas.
O que valeu, salientou, foi “a faixa de contenção que estava limpa, não obstante as labaredas da altura das casas”, a direção do vento que ficou favorável, a intervenção dos bombeiros e o reforço de meios que aconteceu por volta das 23:00 de terça-feira.
As chamas atingiram uma casa devoluta, pinheiros e mato, mas salvaram-se os terrenos agrícolas e as habitações desta aldeia da freguesia de Ardãos e Bobadela, no distrito de Vila Real, onde já se contabilizam três incêndios desde sábado à noite.
“Parece que já é tradição, parece que temos aqui um incendiário residente ou não, mas também as condições meteorológicas ajudam”, referiu o autarca, aludindo ao calor intenso que se tem sentido na região.
O autarca reiterou que suspeita de mão criminosa na origem dos fogos que deflagraram nesta freguesia, dois em Nogueira e outro em Ardãos, tendo o último atingido o concelho vizinho de Montalegre. Esta tem sido uma freguesia tem sido “muito fustigada pelos fogos”, salientou.
“A origem, presumo que seja criminosa. Não sabemos qual é a intenção, mas o que é facto é que Ardãos arde todos os anos praticamente. Neste momento é uma desolação total porque acho que não se vê uma única mancha verde em direção a norte, está tudo queimado. É uma tristeza imensa”, frisou Guilherme Pires.
Segundo a página da internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), às 10:30 de hoje permaneciam no terreno em operações de rescaldo, consolidação e vigilância 101 operacionais, que contam com o apoio de 32 viaturas e dois meios aéreos.
Cerca de 60 concelhos do interior Norte e Centro do país enfrentam hoje perigo máximo de incêndio, uma situação que vai melhorar ao longo da semana tendo em conta a prevista descida das temperaturas.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), estão em perigo muito elevado cerca de 90 municípios dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Porto, Aveiro, Coimbra, Castelo Branco, Viseu, Leiria, Santarém e Faro.
Lusa