O município de Mogadouro transformou um edifício municipal num centro de arte contemporânea dedicado à obra do escultor local Manuel Barroco que passa a ser o patrono desta unidade com inauguração marcada para sexta-feira.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Mogadouro, António Pimentel, disse que no Centro de Arte Contemporânea – Manuel Barroco vai ficar o espólio do ‘atelier’ do escultor, acompanhado de uma componente multimédia explicativa, a incidir no seu percurso.
O novo centro vai ficar instalado num imóvel municipal no centro da cidade de Mogadouro, e que em tempos albergou uma entidade bancária e acabou por ser adquirido pelo município.
“Aqui, os mogadourenses e quem visita a cidade de Mogadouro têm a oportunidade de poder contemplar o trabalho do escultor e ao mesmo tempo apreciar outras componentes culturais e etnográficas do concelho”, vincou o autarca
António Pimentel recordou que o escultor Manuel Barroco tem obras espalhadas um pouco por todo o país, além da cidade de Mogadouro.
O município investiu cerca de 100 mil euros para recuperar este novo espaço cultural, atento à modernidade, integrado numa política municipal de homenagear em vida pessoas que se destacaram em diferentes áreas do saber, da literatura à escultura, da vida autárquica, ao desporto ou ao jornalismo.
O escultor Manuel Barroco nasceu em Mogadouro, em 1940, sendo descrito pelo escritor J. Rentes de Carvalho como uma referência singular no panorama da escultura contemporânea portuguesa.
“A sua obra desenvolve-se a partir de uma ligação profunda ao território de Trás-os-Montes, onde as raízes rurais, os rituais antigos e a dureza da paisagem marcam de forma indelével a sua linguagem artística”, indicou J. Rentes de Carvalho.
Artista autodidata, Manuel Barroco começou a expor na década de 1980 e, desde então, construiu um percurso coerente e reconhecido, assente na exploração de materiais como pedra, ferro e madeira envelhecida, matérias-primas carregadas de memória e simbolismo para o escultor.
Manuel Barroco soma exposições individuais e participações em mostras coletivas, sobretudo em cidades portuguesas como Bragança, Vila Real, Porto, Coimbra, Lisboa e Évora.
Algumas das suas obras encontram-se integradas no espaço público, nomeadamente em Mogadouro, Vimioso e Miranda do Douro.
Além da prática escultórica, Manuel Barroco tem colaborado com instituições culturais e educativas em projetos de arte pública e iniciativas ligadas ao património imaterial, sempre com uma abordagem ética e comunitária, enraizada na região.
A escritora Margarida Botelho escreveu em 1991 que o trabalho de Manuel Barroco é "uma escultura que se move".
“Manuel Barroco transforma o bronze obedecendo a um impulso sensualista que contamina a perceção do espectador, fazendo-a vacilar e instalando-a numa situação em que as coisas já não são totalmente aquilo que delas conhecemos: confessam obscuras raízes, sublimes desejos".
A inauguração do Centro Arte Contemporânea – Manuel Barroco está marcada para sexta-feira, com a presença do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos.
Lusa