O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, apelou hoje ao primeiro-ministro para que substitua Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna “cuja autoridade está absolutamente diminuída” após o acidente mortal na Autoestrada 6 (A6).

“Eu apelo ao senhor primeiro-ministro que não mantenha em funções um ministro cuja autoridade está absolutamente diminuída para quem deve fazer o controlo das regras do código da estrada e, ao mesmo tempo, alguém que tem que tutelar as forças de segurança que estão a investigar aquilo que se passou”, afirmou o líder centrista, que falava em Santa Marta de Penaguião, Vila Real.

Francisco Rodrigues dos Santos discursava durante o jantar de apresentação da candidatura de Daniel Teles à Câmara de Santa Marta de Penaguião, à frente da coligação PSD-CDS/PP “A Força da Mudança” e aproveitou para retomar o tema do atropelamento mortal de um trabalhador que fazia a manutenção da A6, na zona de Évora, pelo carro em que seguia o ministro da Administração Interna.

O líder do CDS-PP disse ainda que, até hoje, não obteve resposta à pergunta, feita já “muitas vezes”, sobre “a velocidade a que circulava a viatura” em que seguia o ministro e reforçou que, “se é facto que viajava em excesso de velocidade, Eduardo Cabrita já se devia ter demitido há muito tempo”.

Embora considere que o governante não tem “responsabilidades pessoais”, sublinhou que tem “responsabilidades políticas”, desde logo porque “tutela o Ministério que deve certificar-se que são cumpridas as regras do código da estrada, nomeadamente os limites de velocidade” e as “polícias que estão a investigar os contornos deste trágico acidente”,

“Portanto, por uma questão de transparência, de ética e de separação de poderes, o investigado não pode tutelar aqueles que investigam, isto é o fim da linha e é uma imoralidade”, afirmou.

E, para Francisco Rodrigues dos Santos, a “forma como os serviços públicos e o Ministério da Administração Interna estão a lidar com este assunto, em que houve já mentiras, há suspeitas de encobrimento, e houve passagem de responsabilidade, nomadamente para a vítima, que é um absurdo, é um sinal claro da inimputabilidade do Governo socialista, em que ninguém assume responsabilidade de nada”.

“Depois do que se passou com o ministro Cabrita, outros membros do Governo em carros oficiais são apanhados em excesso de velocidade e nada acontece e tudo lhes é permitido porque, de facto, os membros do PS são os donos disto tudo”, frisou.

Para o líder do CDS-PP é “verdadeiramente assombrosa” a forma como o PS tem gerido este 'dossier' e, por isso, disse que António Costa tem que decidir “qual o paradigma que quer seguir”, se o "de Jorge Coelho, antigo ministro socialista, ou o de Eduardo Cabrita".

“É que Jorge Coelho aqui há uns anos, quando caiu a ponte de Entre-os-Rios a primeira coisa que fez foi colocar o seu lugar à disposição e demitiu-se do Governo e não tinha nenhuma responsabilidade política direta naquele trágico acontecimento”, salientou.

Francisco Rodrigues dos Santos acrescentou que, até hoje, o que Eduardo Cabrita fez “foi deixar pairar no ar uma suspeita de encobrimento sobre o que se passou, de mentira, e de passagem de responsabilidade, e isto é matéria política que tem que ser apurada e que, o ministro e António Costa, devem responder aos portugueses”.

“Eduardo Cabrita teria feito um grande gesto e todos o teríamos enaltecido se, imediatamente, após aquele atropelamento tivesse saído deste Governo”, afirmou, recordando outras “razões políticas que antecederam o acidente, desde o caso de Odemira, aos helicópteros Kamov ou das golas inflamáveis.

“Não falta um rol de histórias, mas tínhamos todos tirado o chápeu, a seguir àquele atropelamento se Eduardo Cabrita tivesse feito o único luto indispensável para o que ocorreu, mas não o fez”, referiu ainda Francisco Rodrigues dos Santos.

Após o acidente, o Ministério Público abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte do trabalhador, como sempre acontece em acidentes rodoviários com mortos, tendo a GNR iniciado também uma investigação ao caso, tal como o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que instaurou um inquérito interno sobre as circunstâncias em que foi prestado o socorro no acidente.



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