A Feira do Linho de Ribeira de Pena, no distrito de Vila Real, arranca no dia 31 e estende-se até 02 de agosto para honrar o passado e projetar o futuro da produção artesanal, disse hoje à Lusa o autarca.

O certame, que já conta com 25 edições, é um dos principais eventos de valorização do património artesanal daquele concelho do norte do distrito de Vila Real.

“É uma mostra dos nossos produtos locais, que são muito identitários, durante três dias de muita cultura, artesanato, gastronomia, música e animação. É um convite para visitar Ribeira de Pena nestes dias em que preservamos a tradição, que continua a projetar e a desenhar o futuro”, afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara, João Noronha.

O certame terá um total de 65 expositores, a par de cerca de 20 tasquinhas, onde os visitantes poderão degustar os produtos da região, como o vinho verde e a carne maronesa.

A mostra, que representa um investimento superior a 300 mil euros, contará com artigos produzidos artesanalmente pelas tecedeiras do concelho.

“Este é um trabalho, essencialmente, produzido por mulheres, e ficamos satisfeitos porque temos tecedeiras com 80 anos, mas também na casa dos 20, que estão a descobrir esta arte, porque é uma arte”, destacou o autarca.

O programa, que engloba as festas da vila de Ribeira de Pena, arranca um dia antes, no dia 30, com um desfile que homenageia o linho e uma estilista ribeirapenense.

“O linho está na moda e, portanto, teremos um desfile no qual vamos poder admirar o trabalho de uma estilista conterrânea. Esta é uma arte que inclusive está a concorrer à lista do património imaterial, porque nos honra e envaidece, por isso queremos reconhecer o trabalho de muitas gerações passadas, porque é desta forma que se tece o futuro também”, reiterou.

A Câmara de Ribeira de Pena quer ver o linho de Cerva e Limões no inventário nacional do Património Cultural Imaterial, para preservar, valorizar e impulsionar esta tradição do município transmontano, tendo já submetido a candidatura.

Em declarações à Lusa, em novembro de 2025, o presidente adiantou que, com esta candidatura, se quer preservar e até reforçar o ciclo do linho, desde a sementeira até ao trabalho final.

Em Limões já existe o Museu do Linho, onde as tecedeiras trabalham ao vivo.

Com esta candidatura o município do distrito de Vila Real quer também continuar um processo de valorização iniciado em 1999, com a primeira edição da Feira do Linho.

Em 2019, tecedeiras da Cooperativa de Artesãos Cervences (CACER) foram desafiadas a integrar um projeto do francês Christian Louboutin, trabalhando nas franjas e no linho ripado para a mala de luxo "Portugaba", uma homenagem do designer a Portugal que juntou várias artes tradicionais do país, desde o linho de Cerva à capa mirandesa ou aos azulejos.

A candidatura integra o Plano de Ação Regional para a Cultura Norte 2030 da Comissão e Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).




PARTILHAR:

ULS Trás-os-Montes e Alto Douro reforça temporariamente com médicos polo de Cerva