A diáspora portuguesa no Canadá sonha com um duelo entre as seleções dos dois países no Mundial2026 de futebol, reconhece o ex-internacional canadiano Steven Vitória, vendo condições para os lusos conquistarem um inédito título.
“Seria incrível. Eu nasci e cresci lá e as pessoas não têm noção da paixão e intensidade com que aquela comunidade vive a seleção. Lembro-me de Portugal ganhar uma partida normal em fases finais e de a malta ocupar uma zona de Toronto com bandeiras, a cantar o hino e a festejar. Parecia quase que éramos campeões do mundo nesses dias”, disse à agência Lusa o antigo defesa central, de 39 anos, que fez 46 jogos e cinco golos nos ‘canucks’, entre 2016 e 2023, e participou no Mundial2022, no Qatar.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.
Em função do desempenho na primeira fase, totalmente disputada nos Estados Unidos, Portugal pode disputar os 16 avos de final em Toronto, cidade-natal do luso-canadiano Steven Vitória, caso termine o Grupo K no segundo lugar, ou atuar em Vancouver nos ‘oitavos’, se vencer a ‘poule’.
Cerca de 450.000 a 500.000 pessoas de origem portuguesa, incluindo imigrantes e descendentes, vivem no Canadá e formam uma das maiores comunidades étnicas do país, que se costuma juntar em áreas urbanas, sobretudo na província do Ontário, onde fica Toronto e a capital Otava.
“Essa paixão é linda e pura. As pessoas vivem o futebol como se fosse o desporto-rei no Canadá. Residindo longe de Portugal, mas tendo a possibilidade de estarem perto da seleção, isso terá um grande impacto, vai dar força e será bom para todos. Os jogadores também vão sentir esse calor dos adeptos nos Estados Unidos ou onde forem, mas em Toronto é especial”, partilhou o ex-central de Benfica, Estoril Praia, Moreirense, Desportivo de Chaves ou Boavista, entre outros clubes portugueses.
Qualificado pela nona vez, e sétima seguida, para a fase final do principal torneio internacional de seleções, Portugal tem como melhor resultado o terceiro lugar alcançado logo na estreia, em 1966, e chegará à próxima edição “recheado de valor em todas as posições” para lutar pelo troféu.
“Adorava ver um Portugal-Canadá na final. Portugal tem tudo para correr bem. Esperemos que este seja o momento e tudo se possa alinhar da melhor forma, porque qualidade e jogadores não faltam. Temos uma geração incrível e, por tudo o que eles têm feito e pelos clubes em que andam, não ficaria nada surpreendido se ganhassem. Se puder ser Portugal ou Canadá, maravilha”, projetou o campeão nacional pelo Benfica em 2013/14 e vencedor da II Liga com Olhanense, em 2008/09, e Estoril Praia, em 2011/12.
Com a maioria da carreira feita em Portugal, onde chegou aos 18 anos e ainda reside, Steven Vitória advertiu que as seleções têm de estar preparadas para as características dos três países coanfitriões do Mundial2026, cujas cidades-sede canadianas são Toronto e Vancouver.
“Lembro-me de ir de um lado ao outro e estamos a falar de cinco horas de avião. São viagens muito grandes dentro de países enormes. Quem jogar em Toronto não vai sentir muito a altitude que existe na Cidade do México ou em outras cidades dos Estados Unidos, nas quais podem estar 30 ou 40 graus e níveis de humidade diferentes do Canadá”, contextualizou.
Totalista nas derrotas perante Bélgica (1-0), Croácia (4-1) e Marrocos (2-1) em 2022, Steven Vitória é adjunto da Indonésia, numa equipa técnica liderada pelo inglês John Herdman, selecionador dos ‘canucks’ há quatro anos.
“Claro que essas condicionantes podem ter um impacto muito grande e não é fácil geri-las, muito mais quando há pela frente intervalos curtos de um jogo para o outro, viagens e altitudes. Pode afetar, mas vai ser para todos. Não é para servir de desculpa, mas sim para desfrutar na mesma”, concluiu.
*** Ricardo Tavares Ferreira, da agência Lusa ***
Lusa