O antigo quartel florestal do Fojo, em Mondim de Basto, vai ser transformado num laboratório vivo para investigação, conservação e sensibilização ambiental no Alvão e poderá acolher em permanência uma equipa de vigilantes da natureza.
O presidente da Câmara de Mondim de Basto, Bruno Ferreira, disse que o Parque da Biodiversidade do Alvão - LivingLab (laboratório vivo) é um projeto-piloto que acolherá investigação em diversas áreas desde a água, clima, solos, floresta e agricultura.
“Esta concentração de biodiversidade que existe no Parque Natural do Alvão (PNA) permite que seja um projeto-piloto que possa ser replicável em outros parques nacionais e internacionais”, defendeu o autarca do distrito de Vila Real.
Hoje, foi lançada a primeira pedra do LivingLab, um projeto que vai nascer nos três edifícios do antigo quartel florestal do Fojo, a poucos metros do Centro Interpretativo das Fisgas de Ermelo e a um quilómetro do novo miradouro das quedas de águas no rio Olo, uma das maiores de Portugal.
“O quartel do Fojo funcionava como um espaço de suporte às equipas florestais que existiam dentro do PNA”, lembrou Bruno Ferreira.
Atualmente não existe, no PNA, qualquer equipamento ou infraestrutura do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e, no âmbito do Living Lab, será criado um espaço para acolher, em permanência, uma equipa de vigilantes da natureza.
O projeto tem um investimento de cerca de um milhão de euros, financiado pelo programa Norte 2030, e junta a Câmara de Mondim de Basto, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e o ICNF.
As quatro entidades deram o primeiro passo para a concretização da iniciativa em 2024, com a criação da Associação de Investigação e Desenvolvimento LivingLab PNA.
A obra, que vai arrancar agora, deverá estar concluída dentro de 20 meses.
Pretende-se, segundo Bruno Ferreira, criar também um museu vivo, com espécies autóctones, aberto à comunidade local e aos visitantes deste parque, que tem 7.220 hectares e abrange área dos concelhos de Mondim de Basto e de Vila Real.
Ali serão instalados, entre outros, os serviços administrativos, dormitórios para investigadores e um laboratório e as soluções tecnológicas a desenvolver podem ajudar a fazer a monitorização da pegada turística nos território, a prevenir os fogos florestais ou a avaliar a qualidade do ar ou da água.
Este laboratório vivo poderá ainda incentivar à implementação de práticas de descarbonização, reutilização de recursos e desenvolvimento de modelos de negócio sustentáveis, proceder à avaliação da qualidade da água, promoção de energias renováveis e eficiência energética, ajudar na preservação do património arquitetónico.
O projeto visa a promoção do artesanato local e a valorização da cultura regional, bem como de um turismo sustentável, pelo que poderão ser criados percursos turísticos sustentáveis e estruturas de apoio à visitação e experienciação (com recurso por exemplo a imagens virtuais e 3D).
O presidente da CCDR-N, Álvaro Santos, considerou que este espaço vai ser mais um polo de atração para este território, de educação ambiental para os mais jovens, contribuindo para a coesão territorial.
A UTAD, segundo o reitor João Barroso, vai começar a trabalhar no projeto, divulgando e incentivando os seus investigadores a olhar para o PNA, realçando que estas são áreas (floresta, solos, água, agricultura etc.) que estiveram na génese da própria universidade.
“Portanto, acho que há matéria e condições para termos aqui uma posição ativa”, sublinhou, defendendo ainda que o espaço poderá acolher residências artísticas, unindo a investigação à arte.
A diretora regional do ICNF, Sandra Sarmento, considerou que este pode ser um “projeto referencial” e de defesa desta área protegida, bem como de sensibilização e educação ambiental.
Foto:radio Voz do Marão
Lusa