O Carnaval em Alfândega da Fé comemora-se com 25 burros, construídos e enfeitados pela comunidade, o reavivar de uma tradição que envolvia estes animais em algumas aldeias do concelho, revelou, hoje, a vice-presidente do município.
Segundo a autarca, Maria Manuel Silva, antigamente, em algumas freguesias de Alfândega da Fé, como Vila Chão e Gebelim, o Carnaval era comemorado com burros, um animal bastante usado na lavoura que nesta altura do ano saía da loja, alguns roubados pelos vizinhos, e eram enfeitados para um desfile que acontecia pela aldeia.
Pelo segundo ano consecutivo, o município vai reavivar esta tradição, agora de forma ajustada. Com a falta de burros no concelho, a câmara constrói estruturas em metal ou plástico que são distribuídas por instituições e agentes económicos, que as decoram para um cortejo.
As burricadas começam na noite de sexta-feira, dia 13, com a Noite do Coice. É feito o ritual de largada dos burros enfeitados e vários grupos de animação, profissionais e amadores locais, vão andar de café em café e de bar em bar a tocar músicas, fazer danças e largar as suas deixas de Carnaval, as chamadas sátiras sociais.
No domingo, dia 15, é feito o desfile dos burritos. Estas figuras “cómicas” são carregadas por uma pessoa que se coloca dentro da estrutura. Depois do cortejo, há “jogos e brincadeiras” e o famoso baile de Carnaval.
Este ano, as burricadas contam ainda com uma figura nova, uma máscara, que simboliza “um ser bondoso” que “vem trazer a luz do Carnaval”, depois da queima dos burritos no final do cortejo.
Maria Manuel Silva explicou que a máscara é feita por um artesão local, Amável Antão, e o resto do figurino está a ser feito em lã pela comunidade, que está a aprender a fazer o tratamento da lã e o tingimento, material que será usado para elaborar o fato que vai ornamentar essa figura.
Na terça-feira de Carnaval, haverá a tradicional Queima do Entrudo, um ritual simbólico que marca o fim do tempo de Carnaval e a chegada da Quaresma.
Lusa