O município de Valpaços homenageou hoje o selecionador português de futsal, Jorge Braz, atribuindo o seu nome ao pavilhão municipal da cidade transmontana e inaugurando uma escultura alusiva ao percurso de mérito e excelência do treinador.
O pavilhão municipal de Valpaços é, a partir de hoje, pavilhão municipal Jorge Braz, em homenagem ao selecionador nacional de futsal, que deu os primeiros toques na bola na aldeia de Sonim, naquele concelho do distrito de Vila Real.
Numa cerimónia emotiva, foram destacados os títulos alcançados pelo selecionador, eternizados numa escultura alusiva ao seu percurso, mas sobretudo as características ímpares do “filho da terra”.
“Conheço o Jorge Braz desde o tempo de escola e é uma pessoa íntegra, séria, que abraça com muito carinho, muito empenho todos os projetos que tem. Foi uma homenagem muito sentida, onde também me emocionei, o Braz merece e julgo que todos os valpacenses acarinharam esta homenagem que fizemos hoje”, frisou Jorge Mata Pires, presidente do município de Valpaços.
O autarca destacou ainda a importância de demonstrar aos jovens atletas presentes que o lugar onde nascem não determina o tamanho dos seus sonhos.
“Mais do que as vitórias, do que os títulos, o Jorge Braz é um exemplo e esta [era] uma mensagem que queríamos transmitir aos jovens: mesmo sendo do interior de Portugal, de uma aldeia do interior, do concelho de Valpaços ou de outro, podemos atingir o topo, tal como o Jorge Braz atingiu”, reiterou.
Também o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, destacou o mérito e excelência do selecionador nacional de futsal.
“Acima de tudo, destacar o motivo pelo qual o município tomou esta decisão, [um] reconhecimento do mérito e excelência do Jorge Braz, [de] uma pessoa que tem esta dimensão e é um dos melhores que o país tem (...). Esta é uma mensagem importante para todos: não é o local e a geografia de onde nascemos que vai ditar aquilo que poderemos ser (...)”, afiançou.
No final da cerimónia, que contou com a presença do diretor executivo da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Vasco Pinho, Jorge Braz mostrou-se emocionado com a homenagem e realçou a importância da ligação afetiva às origens e da resiliência transmontana.
“Sempre senti muito a minha terra, as minhas origens, se calhar [pelas] dificuldades que, no futuro, se transformam em enormes vantagens, competências e enorme desenvolvimento. Um senhor há muitos anos ensinou-me que a razão [deve estar] à frente da emoção, mas depois ao longo da vida vamos percebendo que, para vivermos como deve ser, a emoção tem de estar em cada decisão, em cada momento (...). Ou se sente ou não se sente e se não se sente, também não vale a pena”, frisou.
Nascido em Edmonton, no Canadá, há 53 anos, o selecionador cresceu em Sonim, no concelho de Valpaços, onde sempre que regressa é, apenas, o Braz, embora afirme que continua a sê-lo em qualquer parte do mundo.
“Quando assumi o cargo de selecionador nacional (...) e depois de refletir dizia que, agora, é que tenho de continuar mesmo a ser quem sou, porque se deixar de ser quem sou, as coisas vão correr nalgum caminho. (...) Não devemos nunca negar de onde vimos, quem somos e o que sentimos, acho que isso é o mais importante”, reiterou.
Jorge Braz disse acreditar que mesmo os títulos alcançados são uma consequência da forma como trata e respeita quem consigo trabalhou, colocando a tónica nas pessoas e nos clubes que marcaram o seu percurso.
“Acho que até [os] títulos e tudo o que me foi acontecendo ao longo da vida são uma consequência da forma como respeitamos quem está ao nosso lado (...), perceber que são pessoas e que temos de nos apoiar uns aos outros. É isto que fica, que marca e onde nos devemos centrar cada vez mais (...). Andamos todos preocupados com sucesso, os últimos momentos foram de insucesso e, na mesma, estou a viver um momento destes, fantástico, se calhar, por causa das pessoas, dos amigos, dos transmontanos e do que foi acontecendo, essencialmente, pela forma como foi acontecendo, isso é que é importante”, concluiu.
Jorge Braz está à frente da seleção desde 14 de julho de 2010, tendo conquistado um Mundial (2021), dois Europeus (2018 e 2022) e uma Finalíssima Intercontinental (2022).
Portugal terá este ano nova edição da Finalíssima intercontinental, entrando nas meias-finais da competição diante do Brasil, em novembro, sendo a outra meia-final disputada entre Espanha e Argentina.
Lusa