A Savannah concluiu o Estudo Definitivo de Viabilidade da mina de lítio em Boticas, que confirma uma vida útil inicial de 14 anos para o projeto e uma reserva provável de 20 milhões de toneladas de minério.

"Estamos muito satisfeitos por publicar os principais resultados do Estudo Definitivo de Viabilidade da primeira fase de produção do projeto. Este é mais um marco muito importante para o desenvolvimento do projeto lítio do Barroso e o culminar de muitos anos de um trabalho realizado pela nossa equipa e por alguns dos mais experientes consultores internacionais do setor”, afirmou, citado em comunicado, o diretor executivo (CEO) da Savannah, Emanuel Proença.

A empresa prevê o início da construção em 2027, no concelho de Boticas, distrito de Vila Real, deste projeto que obteve a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023. O projeto é contestado por moradores, autarcas e ambientalistas.

Segundo divulgou, o estudo confirma uma vida útil inicial de 14 anos para o projeto, suportada por uma reserva provável JORC (código usado na indústria mineira) inicial de 20 milhões de toneladas de minério.

Durante este período prevê-se a produção de aproximadamente 2,56 milhões de toneladas de concentrado de espodumena, matéria-prima suficiente para mais de sete milhões de baterias para veículos elétricos.

E, segundo a empresa, “aponta-se ainda caminho para uma possível extensão da vida útil do projeto para mais de 40 anos no futuro”.

A Savannah considerou que “os resultados obtidos demonstram igualmente uma forte competitividade a nível internacional”, concluindo ainda que “é mais competitivo do que mais de 50% dos projetos hoje em operação no mundo inteiro”.

O projeto deverá ainda gerar cerca de 500 postos de trabalho permanentes na fábrica, escritórios e mina, e mais de 1.000 empregos indiretos e induzidos.

O estudo estima ainda uma contribuição de aproximadamente 720 milhões de euros em impostos, taxas e ‘royalties’ para Portugal, mas a Savannah disse que os “benefícios para a região do Barroso vão além da atividade económica direta”, lembrando que, no último ano, celebrou mais de 10 memorandos de entendimento e outros acordos de cooperação com entidades locais, abrangendo áreas sociais, culturais, educativas e económicas.

Nesse sentido, acrescentou que a futura Fundação Savannah “permitirá desenvolver ainda mais iniciativas de interesse comunitário e reforçar o apoio ao desenvolvimento regional de longo prazo”.

A empresa referiu ainda que o plano de exploração foi desenvolvido para “cumprir ou superar os requisitos legais portugueses e europeus”, destacando a “utilização de um sistema de armazenamento de rejeitados a seco (‘dry stack’), eliminando a necessidade de barragem convencional para o efeito, ou a implementação de um sistema autónomo de abastecimento e reciclagem de água, reduzindo em mais de 70% o seu consumo na operação”.

Em 2025, a mina do Barroso foi classificada pela União Europeia como projeto estratégico e, em Portugal, a empresa assinou um contrato de investimento com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), que prevê apoio financeiro até 110 milhões de euros.

Para a Savannah, a conclusão do estudo representa “um dos marcos mais relevantes no processo de desenvolvimento de qualquer projeto mineiro”, pelo que coloca o “projeto numa posição privilegiada para avançar para as etapas seguintes”.

“A conclusão do estudo representa a validação técnica, económica, ambiental e operacional do projeto aos olhos de investidores, bancos e parceiros comerciais, fornecendo um nível de detalhe sem precedentes sobre os custos de construção, operação e produção ao longo da vida útil da mina e da sua fábrica”, explicou.

Posiciona ainda, acrescentou, o projeto lítio do Barroso entre os "mais promissores da Europa, posicionando-o para ser o 2.º de larga escala a operar na Europa, no seguimento do projeto Keliber na Finlândia, que já iniciou produção".



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