Os produtores de amêndoa biológica do Nordeste Transmontano mostraram-se hoje otimistas em relação à próxima colheita que pode aumentar em 30% a produção, bem como ao preço pago por quilo de miolo deste fruto de casca rija.
Em declarações à agência Lusa, o dirigente da Cooperativa dos Lavradores dos Frutos Secos de Centro e Norte, com sede em Mogadouro, Acácio Cordeiro, disse que as perspectivas do aumento da produção previsto em 30% para a campanha da colheita da amêndoa biológica que se avizinha, e o aumento da sua valorização em bolsa, são bons indicadores.
“Com estas boas previsões na colheita e nos mercados estamos em crer que os nossos agricultores vão ficar animados, já que os últimos anos de produção foram muito fracos e com preços muito baixos”, vincou o dirigente agrícola do distrito de Bragança.
A Cooperativa dos Lavradores dos Frutos Secos de Centro e Norte é uma organização de produtores com mais de 600 associados dos distritos de Bragança e Vila Real que recolhe, em média, um milhão de quilos de amêndoa biológica e não só, e que este ano perspetiva comercializar mais de 1,3 milhões de quilos.
Segundo Acácio Cordeiro, há boas perspetivas de aumento de produção de amêndoa no território do Nordeste Transmontano, porque se trata de um uma cultura de referência nesta região do país.
“Estamos cientes de que haverá outro ânimo nos produtores de amêndoa com este aumento de produção, depois de anos mais cinzentos e com preços muitos baixos face aos aumento dos fatores de produção", sublinhou.
O dirigente explicou que tem havido um aumento de novas plantações de amendoal e reconversão de outras culturas para o cultivo de amêndoa em modo biológico e uma aposta em maquinaria moderna para a apanha e produção destes frutos.
O mercado nórdico é o principal consumidor de miolo de amêndoa em modo biológico que tem preços que rondam os 7,20 euros o quilo.
“Verifica-se um fosso entre ao preço pago de amêndoa em modo biológico face à mais convencional, com um diferencial que ronda mais de dois euros, o que acho que é muito significativo. Vamos ver como se comporta a bolsa da amêndoa até à altura de começar a recolher o fruto que acontece na primeira e segunda semana de outubro, que tem como referencial o mercado espanhol“, explicou Acácio Cordeiro.
A primavera amena e com chuva favoreceu o crescimento do fruto, uma vez que o grão de amêndoa forma-se depois da floração em março e miolo é criado até junho.
“Neste momento, o fruto já está em fase de maturação e para já não se prevê ‘stress’ hídrico, apesar do tempo seco e quente, porque muitas produções já utilizam o sistema de rega gota a gota”, indicou o responsável pela cooperativa.
Na região transmontana verifica-se um aumento de área de produção de plantação de amêndoa, sendo o concelho de Mogadouro o que maior crescimento registou neste setor agrícola.
Foto: Antonio Pereira
Lusa